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domingo, 14 de novembro de 2010

Dead Kennedys - Mutiny On The Bay [2001]

Domingo pra muitos (inclusive pra mim) é um sinônimo de tédio. Aquele dia que tu provavelmente acorda de ressaca as três horas da tarde pensando "que bosta amanhã é segunda". Mas bem, hoje venho postar um disco que pode ao menos "reduzir" a chatice do domingo: "Mutiny On The Bay" do Dead Kennedys.

Bom, não vou perder tempo contando a história deles, até porque, já temos 2 posts aqui na Combe do DK e creio que os dois já tratem sobre esse assunto. Então vou direto ao que interessa, o álbum em si.

"Mutiny On The Bay", o primeiro álbum ao vivo oficial da banda (visto que os outros lançados eram todos bootlegs), foi gravado na fase aurea da banda, em 1986, mas lançado só em 2001, e envolve uma história muito suja por trás dele.

"Mutiny On The Bay" foi lançado logo após a disputa judicial entre o vocalista e compositor da banda Jello Biafra contra os outros Dead Kennedys. O tal processo começou quando uma cervejaria queria usar uma música do DK em um jingle para um comercial de TV. Jello Biafra contestou, seria lixar sua música apenas por dinheiro, principalmente por que a música em questão, "Holiday in Cambodia", critica justamente uma juventude ociosa e opulenta (vulgos "playboys"), enquanto os outros Kennedys se opuseram a Biafra. Chega a ser até engraçado, uma das bandas que mais criticaram o capitalismo selvagem e a ganância em protestos crus, irônicos e ácidos, agora, brigavam entre si por causa de dinheiro.


(A banda nos tempos aureos. Destaques para a performance do Jello a para os moshs enlouquecidos da platéia!)

Infelizmente, o resultado foi negativo para Biafra. Ele e sua gravadora independente, a Alternative Tentacles, que muito ajudou o punk rock underground (e até hoje ajuda, pois ainda se encontra em atividade), perderam o direito sobre o material dos Dead Kennedys em prol do que o resto do grupo quisesse fazer. Certamente, foi uma péssima notícia para o underground da região em que situa-se a gravadora do Jello, já que ele usava o dinheiro das vendas dos seus discos para prensar discos a baixo custo para bandas de hardcore e punk que estavam no início da carreira. E os direitos do DK passaram para os outros membros, e todo o material deles lançados a partir de 2001, não seriam mais da Alternative Tentacles, mas sim, da Manifesto Records. Jello, que escreveu quase todas as músicas do DK, tinha perdido o direito de um material que era DELE. Uma palhaçada enorme.

E pra piorar tudo, a banda decidiu fazer altas coisas para ganhar uma graninha a mais. Reviveram a banda com outro vocalista, e lançaram uma porrada de material "novo", como esse ao vivo. Mas, apesar de sua história suja, é um ótimo registro.

O repertório do disco é impecável, contendo os maiores clássicos da banda, como "Police Truck", "Kill the Poor", "California Über Alles", "Holiday In Cambodia" e "Too Drunk to Fuck", sendo assim, uma boa pedida pra quem quer conhecer o som do Dead Kennedys. A qualidade também está ótima, e a energia desse ao vivo, então, nem se fala. Uma performance realmente explosiva, incendiária, fodedora de cu's. Esse disco com certeza está, na lista de meus discos ao vivo preferidos. Aliás, como vocês devem ter percebido, sou muito fã de discos ao vivo, mas bem, isso é outra história!

Bem, enfim, Dead Kennedys é Dead Kennedys. Banda ESSENCIAL para qualquer fã de punk rock, e não só fã de punk rock. Recomendo a todos essa pepita, que por mais que tenha uma história bem suja, não deixa de ser um puta registro! Discão que com certeza vai animar seu domigo e o tirar do tédio por alguns momentos.

1. Introduction
2. Police Truck
3. Kill The Poor
4. Holiday In Cambodia
5. Moon Over Marin
6. California Uber Alles
7. MTV - Get Off The Air
8. Too Drunk To Fuck
9. Goons Of Hazzard
10. This Could Be Anywhere
11. Forward To Death
12. I Am The Owl
13. Hellnation
14. Riot

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Maurício Knevitz

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dead Kennedys - In God We Trust, Inc [1981]

Se você for um viado com ouvidos sensíveis e gays, gosta de coisas fofinhas e bem trabalhadas, apenas ignore esse post e vá para o outro. Agora se gosta de podreira, hardcore na mais pura essência, divirta-se!

O Dead Kennedys...Bem, dispensa apresentações! O colega Alvye (Álvaro Corpse) já postou aqui o excelente debut "Fresh Fruit For Rotting Vegetables" aqui na Combe tempos antes de eu entrar aqui no novo blog, então, hoje venho com o segundo registro deles, o EP "In God We Trust, Inc".

Aqui o som do DK está extramamente sujo e agressivo, músicas muito, muito rápidas, hardcore de verdade, porra! Tenho esse disco em vinil e caralho, é muito lindo! E além do som ser algo do capeta, as letras também são destruidores, fazendo críticas ferozes a religião, as igrejas e ao governo, com muita ironia e sarcasmo, marca registrada do DK e do seu líder Jello Biaffra (que com toda certeza, é meu maior ídolo).

O disco tem apenas 9 faixas, mas eu realmente recomendo vocês a baixarem, porque esse é um dos melhores momentos do DK. Já abre com uma porrada na cara, "Religious Vomit", que além de ser uma das mais agressivas da banda, critica ferozmente as religiões e as igrejas. Em seguida, "Viva Las Vegas", um cover de Elvis que já havia aparecido no "Fresh Fruit..." e "Moral Majority", outra porrada contra as igrejas. Depois temos outras cacetadas na orelha, como "Kepone Factory" (uma das melhores do disco), a clássica "Nazi Punks Fuck Off!" (escrita para o Exploited, mas essa história de eles serem nazistas é pura lenda), uma versão mais chapada de "California Über Alles", aque aqui virou "We've Got A Bigger Problem Now" e recebeu uma letra nova, aqui muito mais agressiva que a da música original, criticando o governo de Reagan. Realmente, é uma das melhores músicas de protesto que já ouvi. O disco fecha com "Rawhide", um cover, que eu só sei que é cover mesmo, pois não sei quem é o autor original (risos).

Então, se vocês curtem um hardcore agressivo, bem feito e de qualidade, baixe esse disco agora mesmo! Afinal, Dead Kennedys é obrigatório e pra mim é também uma das 15 melhores bandas do mundo.

1. Religious Vomit
2. Viva Las Vegas
3. Moral Majority
4. Hyperactive Child
5. Kepone Factory
6. Dog Bite
7. Nazi Punks Fuck Off!
8. We've Got A Bigger Problem Now
9. Rawhide

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Maurício Knevitz

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dead Kennedys - Fresh Fruit For Rotting Vegetables (Remastered 2005) [1980 - 2005]

Voltando aos serviços da nossa Combe/DC (mata, mas depois retorna do nada), estou aqui para postar o grito das tribos de São Francisco, o verdadeiro panfleto punk contra a politicagem nonsense: ''Fresh Fruit For Rotten Vegetables'' [1980], do incrível Dead Kennedys, na versão remasterizada de 2005.

Os feras de juntaram no final dos anos 70, a partir da procura do guitarrista East Bay Ray por músicos para montar uma banda, e o resultado não poderia ser melhor já que quase dois anos após a formação eles gravaram o debut que é justamente ''Fresh Fruit...'', e até hoje o disco é aclamado como um dos discos que ajudaram a definir o que viria a ser o hardcore além de possuir aquela típica rebeldia punk, porém, com causa.

''Fresh Fruit...'' possui 14 faixas sarcásticas, diretas e ácidas, com críticas direcionadas ao governo da época e outros temas em geral. A porradaria começa com a chiclete ''Kill The Poor'', faixa que fala sobre o desenvolvimento dos ricos numa área em detrimento da detonação dos desfavorecidos que ali habitam além de criticar a superficialidade dos janotas daquele tempo. ''Forward To Death'' é uma canção cheia de raiva da mesma forma que ''When Ya Get Drafted'', convites irrecusáveis para o mosh com os refrões marcantes e a dobradinha tensa de teclado/guitarra em ''When Ya Get Drafted''. ''Let's Lynch The Landlord'' possui a marca característica de East Bay Ray, que é a guitarra furiosa e suingada devido as influências sessentistas, e a crueza atinge seu ponto mais alto na veloz ''Drug Me''. Em seguida vem a boa ''Your Emotions'', que logo sai de cena para entrar a incrível ''Chemical Warfare'', com o pé o no rockabilly e o outro do punk, que possui um refrão marcante e a sessão final da música um tanto bizarra. ''California Über Alles'' nasceu clássica, a canção, que possui citações de 1984 (livro de George Orwell) e Shakespeare, critica o então governador da Califórnia na época Jerry Brown criando assim uma canção eterna e, apesar do sucesso, totalmente anti-comercial. Em seguida vem o ataque cardíaco de ''I Kill Children'', cuja letra é um exemplo para a as bandas de thrash/death metal, a divertida ''Stealing Peoples's Mall'', a razoável ''Funland At The Beach'' e próxima faixa, ''Ill In The Head'', merece destaque pela participação do ex-membro 6025 na guitarra base. ''Holiday In Cambodia'' é uma daquelas faixas que pode-se dizer que é precursora do hardcore (assim como tantas outras nesse disco), com a levada veloz do refrão e as linhas de guitarra/baixo rápidas e cadenciadas (a linha de baixo dessa canção é inesquecível, cortesia do baixista Klaus Flouride), e que critica o totalitarismo casca-grossa do oriente satirizando a sociedade estadunidense em contraste com a dureza do regime comunista Khmer no Camboja, delicadeza ''implantada'' pelo ditador Saloth Sar. O encerramento do disco é com um cover um tanto engraçado da canção ''Viva Las Vegas'', gravada pelo rei Elvis Presley

Expressivo, cru, veloz, criativo e crítico, a essência do verdadeiro punk rock.
Um ótimo download!

01. Kill The Poor
02. Forward To Death
03. When Ya Get Drafted
04. Let's Lynch The Landlord
05. Drug Me
06. Your Emotions
07. Chemical Warfare
08. California Über Alles
09. I Kill Children
10. Stealing People's Mail
11. Funland At The Beach
12. Ill In The Head
13. Holiday In Cambodia
14. Viva Las Vegas

Jello Biafra - Vocal
East Bay Ray - Guitarra solo
Klaus Flouride - Baixo, backing vocals
Ted - Bateria
6025 - Guitarra base em ''Ill In The Head''
Paul Roessler - Teclados
Ninotchka – Teclados, backing vocals
Dirk Dirksen – Backing vocals
Bobby Unrest – Backing vocals
Michael Synder – Backing vocals
Bruce Calderwood – Backing vocals
Barbara Hellbent – Backing vocals
HyJean – Backing vocals
Curt – Backing vocals
Chi Chi – Backing vocals

Curiosidades: A clássica capa de ''Fresh Fruit...'' mostra vários carros de polícia em chamas, cena fotografada durante o famoso White Night Riots ocorrido em 21 de maio de 1979. A outra curiosidade é sobre o tecladista Paul Roessler, conhecido pelo seu sobrenome por causa da irmã, Kira Roessler, que já foi baixista do Black Flag até o último disco da banda.

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By Alvaro Corpse