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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Lynyrd Skynyrd – Street Survivors [1977]



Este é o disco no qual o Lynyrd Skynyrd apostava suas fichas para o megaestrelato com base na formação que seria definitiva.

Ed King, genial compositor dos primeiros discos do grupo, havia saído em definitivo quando foi substituído por Steve Gaines, que foi trazido por sua irmã, Cassie (backing vocais).

Apenas três dias depois do lançamento oficial do disco, o avião do grupo caiu levando Ronnie Van Zant e os irmãos Gaines para o além. Uma tragédia então sem precedentes na história do rock.

A banda estava tão afiada na época que a turnê anterior a este álbum rendera o famoso filme Free Bird, no qual um enérgico Lynyrd Skynyrd toca espremido no centro de um palco em forma de boca totalmente coberto com panos. Era a turnê Black ‘n’ Blue, dos Stones.

No filme pode-se ver perfeitamente que quase ninguém está ali para curtir a atração principal. Enquanto Richards estava envolvido com o Reggae de Jamaica, os Skynyrds detonavam o que de melhor havia em southern rock na face da terra (lembrando sempre que os Allman Brothers estavam de férias, na época).



Gravado na Florida e no estado da Georgia, Street Survivors traz alguns dos maiores sucessos da história da banda, cortesia da participação mais que bem vinda de Steve Gaines. Esse também é o último disco de estúdio com Allen Collins, que morrera de pneumonia no ano de 1990, e não participou do famoso retorno de 1987. O disco foi gravado duas vezes. A primeira gravação ocorreu em Miami, na Flórida; e a segunda, em Doraville, Georgia. A que trazemos é a segunda.

A capa merece uma análise à parte. Foram duas. A original tinha a banda na rua entre chamas, quando o disco foi lançado. Em razão do acidente, foi lançada uma nova versão com fundo preto. Steve Gaines está com cara de morto e sendo cremado (pela direção das chamas), e Van Zant usa uma camiseta com a capa do disco Tonight’s the Night, de Neil Young. Some tudo isso e terás uma bela teoria da conspiração.

O play abre com What’s your name, num daqueles resultados típicos da parceria Rossington/ Van Zant. Riffs que fazem a cabeça de quem adora um southern, como eu. That Smell vem mostrar que Allen Collins não ficava para trás. Ronnie traz suas letras para dar um colorido à levada mais bluesy do guitarrista. Mas, como no resultado final sempre temos 3 guitarras, os trabalhos resultam em verdadeiros coquetéis de notas e acordes. É melodia pra ninguém botar defeito.



Steve Gaines trouxe suas composições em letra e música, como a fantástica I Know a Little (executada até hoje nos shows da banda) e Ain’t no Good Life. Fez parceria com Van Zant em You Got That Right e I Never Dreamed e, com isso, foi o que mais contribuiu, no geral, para o play. Só para esclarecer, Cassie já era da banda quando Steve entrou. Foi ela quem indicou o irmãozinho para o posto vago. Bela indicação – it runs in the family.

Temos ainda Honk Tonk Night Time Man, de Merle Haggart e pronto! Um classico absoluto do southern rock e, para completar o quadro, com uma bela e enfadonha maldição a ser desvendada. Afinal, quem não curte um terrorzinho?



Depois desse disco a banda não aguentou o tirão e se desmantelou. Afinal, seus dois maiores compositores haviam falecido. Os retornos, deixo para as próximas resenhas.

O importante é curtir mais esse clássico. Southern, by the Grace of God!

Track List

1. "What's Your Name" (Rossington, Van Zant)
2. "That Smell" (Collins, Van Zant)
3. "One More Time" (Rossington, Van Zant)
4. "I Know a Little" (Gaines)
5. "You Got That Right" (Gaines, Van Zant)
6. "I Never Dreamed" (Gaines, Van Zant)
7. "Honky Tonk Night Time Man" (Haggard)
8. "Ain't No Good Life" (Gaines)

Steve Gaines (vocais, guitarras)
Ronnie Van Zant (vocais)
Gary Rossington, Allen Collins, Ed King (guitarras)
Barry Lee Harwood (dobro)
Billy Powell (teclados)
Rick Medlocke (bacteria e backing vocais)
Artimus Pyle (bateria)
Cassie Gaines, Leslie Hawkins, Jo Jo Billingsley, Tim Smith (backing vocais)

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Por Zorreiro

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Lynyrd Skynyrd - Second Helping [1974]


Os discos clássicos do Lynyrd Skynyrd (até o acidente que ocorreu em 1977) são incríveis por um simples motivo: a qualidade foi mantida desde o debut, "Pronounced", até a despedida não-planejada "Street Survivors". Há preferências, obviamente, entre os fãs do grupo, mas é fato que os cinco álbuns feitos até a tragédia mantém um padrão acima da média.

O segundo da discografia do Skynyrd, não faz feio. Lançado em abril de 1974 pela MCA Records e mantendo a produção de Al Kooper, "Second Helping" é mais uma verdadeira aula de como se fazer Rock de qualidade com as influências do Sul dos Estados Unidos. Além disso, consolidou a sonoridade da banda, principalmente pela presença dos três guitarristas - Gary Rossington, Ed King e Allen Collins - em todas as faixas.

"Sweet Home Alabama" abre o disco com classe. Um dos melhores e maiores hits do conjunto, a canção foi gravada antes das demais, ainda em 1973, e serviu como resposta para duas músicas de Neil Young, "Southern Man" e "Alabama", que criticavam o Sul dos EUA. A balada "I Need You" vem em seguida, e como de costume, recheada de feeling e guitarras absurdamente bem tocadas.

Da esquerda pra direita: Barry Fey (promotor de shows),
Gary Rossington, Leon Wilkeson, Ronnie Van Zant

"Don't Ask Me No Questions" é um Rock grudento, conduzido por ótimos riffs e performance vocal de Van Zant. A paulada "Workin' For MCA" chega metendo o pé na porta no maior estilo setentista de se fazer Rock N' Roll, mas o clima muda com "The Ballad Of Curtis Loew", linda e calma canção, injustiçada por ser tocada apenas uma vez ao vivo antes do acidente que culminou no fim da banda.

Na sequência tem-se "Swamp Music" e seu andamento malandro, servindo como um convite para dançar em qualquer ocasião. A cativante "The Needle And The Spoon", com guitarras de extremo destaque (principalmente o solo de wah wah seguido de linhas cruzadas) e precisas linhas de baixo, prepara o ouvinte para o fechamento apoteótico com "Call Me The Breeze", cover do clássico de J.J. Cale ao estilo Lynyrd.

Com uma satisfatória 12ª posição nas paradas norte-americanas e o single de "Sweet Home Alabama" bem tocado na América do Norte e na Europa, não demorou para que o Lynyrd Skynyrd se tornasse uma atração de proporções cada vez maiores. Apesar das tragédias que sempre permearam suas trajetórias, a discografia, principalmente inicial, desses caras só provam que poderiam ter feito muito mais, pois competência e talento tinham de sobra.



01. Sweet Home Alabama
02. I Need You
03. Don't Ask Me No Questions
04. Workin' For MCA
05. The Ballad Of Curtis Loew
06. Swamp Music
07. The Needle And The Spoon
08. Call Me The Breeze (J. J. Cale cover)

Ronnie Van Zant - vocal
Gary Rossington - guitarra, violão em 1
Allen Collins - guitarra
Ed King - guitarra, slide, baixo em 2
Billy Powell - teclados, piano em 1
Leon Wilkeson - baixo
Bob Burns - bateria

Músicos adicionais:
Mike Porter - bateria em 2
Clydie King - backing vocals em 1
Sherlie Matthews - backing vocals em 1
Merry Clayton & Friends - backing vocals em 1
Bobby Keys, Trewor Lawrence & Steve Madiao - instrumentos de sopro em 3 e 8
Al Kooper - backing vocals, piano em 3 e 5

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by Silver

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lynyrd Skynyrd - God & Guns [2009]


Assim como muitos que acompanham este blog, a partir do momento que conheci o Lynyrd Skynyrd comecei a ver música com outros olhos. A primeira vez que escutei Free Bird, eu descobri que aquela seria uma banda que me acompanharia até o final de minha vida. É praticamente impossível não se apaixonar pelo som dos caras e se sentir ainda mais comovido por todas as histórias de adversidades que rondam o grupo desde seu início.

E não nego que assim que fiquei sabendo do lançamento de seu último disco, a ansiedade me pegou de jeito e contei cada segundo até que o mesmo saísse. Mas eu tinha bem em mente que os tempos mudaram, e que não era possível eles fazerem o mesmo som de seu disco de estréia. Mas sabia também que tinha ali o sangue dos Van Zant, bem representado por Johnny e que com essa pedigree era muito difícil sair algo ruim.

Como sempre foi peculiar em toda a carreira do grupo, alguma desgraça teria de acontecer antes do lançamento desse disco. A primeira foi a perda do excelente tecladista e um dos membros originais do grupo, Billy Powell, que em 28 de janeiro de 2009 faleceu de suspeita de ataque cardíaco em sua residência. Não bastasse tal desgraça, em 07 de maio do mesmo ano, o baixista Donald "Ean" Evans que estava desde 2001 no grupo, morreu de câncer também em seu lar. Mas estamos diante do indestrutível Lynyrd, e mesmo com tudo isso, continuou na ativa.


Após recrutar Peter Keys Pisarczyk e Robert Kearns, respectivamente para teclado e baixo, a banda solta o ótimo "God & Guns". Apesar de muitos torcerem o nariz, acusando o disco de modernoso demais ou apelo pop do disco em algumas canções. Mas digo que mesmo com isso, o som que esses caras fazem continua matador e imperdível, e afirmam o famoso dito popular, "quem vive de passado é museu". E sem falar do belo trabalho vocal de Johnny Van Zant, que continua a honrar ao legado da família.

E somos esbofeteados já sem nenhum aviso e nem tempo de respirar com "Still Unbroken", em que é possível mesmo com o peso apresentado reconhecer como uma canção típica do Lynyrd. Temos um desabafo do grupo, que mesmo com tantas adversidades continua vivo e inquebrantável e dá provas disso com esta excelente abertura. Se você gosta de músicas que lembram o velho Lynyrd, "Southern Ways" é quase que uma "Sweet Home Alabama pt.2", onde temos a base desse clássico emprestada para esta canção. A porrada "Floyd" com a participação de Rob Zombie, em que é contada uma história de terror interiorana é outra excelente música em que a modernidade faz muito bem ao grupo.

As baladas se fazem presentes como sempre na linda e triste "Unwrited That Song", em uma letra desacreditada no amor da maneira que a maioria o descreve, como algo perfeito e sem fim. Temos também uma homenagem à Billy Powell na ainda mais bela "Gifted Hands", em uma aula de feeling desses monstros, que sempre foram mestres nesse quesito. Aqui citei apenas as que mais gosto, mas este é um registro que merece ser apreciado do início ao fim sem se pular uma música sequer.

Um disco moderno. Mas quando se sabe dosar as quantidades, é possível ter um trabalho de excelente qualidade. E isso o Lynyrd Skynyrd em qualquer uma de suas formações sabe fazer melhor do que ninguém!



1. Still Unbroken
2. Simple Life
3. Little Thing Called You
4. Southern Ways
5. Skynyrd Nation
6. Unwrite That Song
7. Floyd
8. That Ain't My America
9. Comin' Back For More
10. God & Guns
11. Storm
12. Gifted Hands

Johnny Van Zant - Vocais
Gary Rossington - Guitarras
Rickey Medlocke - Guitarras
Mark Matejka - Guitarras
John 5 - Guitarras
Robert Kearns - Baixo
Peter Keys - Teclado, piano
Michael Cartellone - Bateria

By Weschap Coverdale

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Lynyrd Skynyrd - Legend [1987]

Exatamente 33 anos após o infeliz acidente de avião que vitimou Ronnie Van Zant e Steve Gaines, venho trazer para vocês a coletânea lançada exatamente 10 anos após o mesmo, quando o Lynyrd Skynyrd voltou à ativa com Johnny Van Zant nos vocais e também com a volta de Ed King à formação.

"Legend" é uma reunião de vários "b-sides" de muitas épocas diferentes da banda, que conta com praticamente as duas formações clássicas na ativa (com Ed King na guitarra e Bob Burns na bateria, e Steve Gaines e Artimus Pyle) e vários outros músicos, como o guitarrista Don Barnes, o baixista Larry Junstrom e o baterista Steve Brookins (todos do .38 Special), e vários outros. Aqui podemos notar toda a criatividade dos caras em músicas mais descompromissadas, até porque, acabaram ficando de fora de álbuns importantes. Por exemplo, "Georgia Peaches" era pra ter saído no "Street Survivors", assim como a genial "One In The Sun", de Steve Gaines, que acabou saindo em seu primeiro álbum solo, lançado bem depois de sua morte.

Claro que, mesmo se tratando de lados-B, o que temos aqui é o tradicional Skynyrd, com todo o seu feeling e pegada poderosa, só que com músicas menos furiosas. Todas elas são mais tradicionais, voltadas para a música regional de fato, passando um pouco longe dos Rockões poderosos que eles lançaram nos álbuns clássicos, mas, como nós sabemos, tudo o que envolvia o nome deles nos anos 70, era, no mínimo, agradável (para mim é maravilhoso, risos). Aqui chegamos bem perto do Country e do Blues, de fato, com várias músicas sendo levadas pela guitarra slide, com a presença de bandolins e banjos, principalmente na primeira metade do álbum. É claro que o Rock N' Roll está presente, com faixas como "Sweet Little Missy", "Truck Driving Man" e a versão ao vivo para "Simple Man".

Chegando aos destaques, é impossível deixar de citar músicas incríveis como "Four Walls Of Raiford", "Truck Driving Man", a longa "Take Your Time", a obra-prima "One In The Sun" - que mostra todo o potencial de Steve Gaines -, e a ótima versão ao vivo para a clássica "Simple Man".

Enfim pessoal, se você é fã dos caras e quer ouvir músicas que poderiam ter sido bem sucedidas (e se tornaram de qualquer jeito), ou se você ainda não conhece e tem curiosidade, aqui está uma ótima peça para enriquecer sua coleção!


1. Georgia Peaches
[Ronnie Van Zant (V), Steve Gaines (G), Gary Rossington (G), Leon Wilkeson (B), Billy Powell (K), Artimus Pyle (D)]

2. When You Got Good Friends
[Ronnie Van Zant (V), Allen Collins (G), Don Barnes (G), Gary Rossington (G), Larry Junstrom (B), Billy Powell (K), Steve Brookins (D)]


3. Sweet Little Missy
[Ronnie Van Zant (V), Allen Collins (G), Gary Rossington (G), Steve Gaines (G), Leon Wilkeson (B), Artimus Pyle (D), Billy Powell (K)]

4. Four Walls Of Raiford
[Ronnie Van Zant (V), Gary Rossington (G), Billy Powell (K), Leon Wilkeson (B), Jeff Carlisi (G)]

5. Simple Man (Live)
[Ronnie Van Zant (V), Gary Rossington (G), Allen Collins (G), Steve Gaines (G), Billy Powell (K), Leon Wilkeson (B), Artimus Pyle (D)]

6. Truck Driving Man
[Ronnie Van Zant (V), Gary Rossington (G), Allen Collins (G), Ed King (G,B), Bob Burns (D)]

7. One In The Sun
[Steve Gaines (V,G), Gary Rossington (G), Billy Powell (K), Leon Wilkeson (B), Ron Brooks (D)]

8. Mr. Banker
[Ronnie Van Zant (V), Gary Rossington (G), Ed King (G)]

9. Take Your Time
[Ronnie Van Zant (V), Ed King (G,B), Allen Collins (G), Bob Burns (D), Billy Powell (K), Gary Rossington (G)]


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Bruno Gonzalez



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Lynyrd Skynyrd - Gimme Back My Bullets [1976]

E agora, finalmente, um post da minha banda favorita, da que mais me emocionou praticamente em toda a minha vida, e proporciona vários dos meus maiores momentos de viagem: o Skynyrd.

Todos devem saber bem da devoção que tenho por esses caras, e não é a toa, afinal, nenhuma banda teve um feeling que chegasse aos pés deles, e ninguém nunca compôs músicas tão belas quanto as que encontramos em sua discografia. Acho que isso já é o bastante para ter a banda como um estilo de vida, baseado em suas músicas.

Depois do estrondoso sucesso alcançado por clássicos como "Free Bird", "Sweet Home Alabama", "Saturday Night Special", "Tuesday's Gone", dentre outros, a banda começou a entrar numa fase bem obscura, pois vários acontecimentos enfraqueceram seus laços. Antes do lançamento do disco, na turnê de promoção do disco anterior, "Nuthin' Fancy" (apelidada pela banda por "Torture Tour", ou a "Turnê da Tortura", em bom português), várias brigas levaram os caras a atos totalmente sem pé, nem cabeça, como o uso excessivo de drogas e de bebidas alcoólicas, vários shows cancelados, e até mesmo alguns vexames, como o fato de terem esquecido a ordem de algumas músicas em alguns shows, largando de vez a imagem de conservadores que a mídia os tinha dado, como dizia Ronnie Van Zant:

"Nós tinhamos garrafas de Dom Perignon, whiskey, vinho e cerveja, e não seríamos capazes de lembrar da ordem das músicas. Fizemos o Who parecer com garotos indo para a igreja domingo…"

Por causa disso, o guitarrista Ed King foi a primeira baixa do grupo, fazendo com que Allen Collins e Gary Rossington tivessem que se desdobrar, dividindo suas partes nas músicas.

Para apagar de vez essa imagem de "rednecks loucos e bêbados", que a imprensa tinha formado, a banda fez um punhado de gravações entre setembro e novembro de 1975, com a presença do renomado produtor Tom Dowd (trabalhou com Aretha Franklin, Ray Charles, Eric Clapton, Allman Brothers, dentre outros), ainda sem um terceiro guitarrista (que pode parecer besteira, mas no som do Skynyrd é indispensável!) e com composições que não tinham sido tão trabalhadas quanto as dos 3 primeiros discos.

"Gimme Back My Bullets" foi lançado em fevereiro de 1976, e é considerado o disco mais fraco da fase clássica da banda pelos críticos, mas, quem disse que eles entendem alguma coisa? O que temos aqui é música de primeiríssima, com o habitual feeling dos caras, e, mesmo com as músicas não sendo tão trabalhadas, como já falei, elas são tão incríveis quanto as dos outros discos, fazendo deste item, essencialíssimo para um fã dos caras.

Ronnie Van Zant, Gary Rossington e Allen Collins, mais uma vez pareciam estar inspiradíssimos, com os vocais de Ronnie afinadíssimos e com a mesma tranquilidade de sempre, e as guitarras de Rossington e Collins furiosíssimas, pra variar, com bases e solos extremamente técnicos e cheios de feeling, e com as letras de primeiríssima qualidade também, mostrando que, mesmo todas sendo compostas em estúdio, eles não tinham perdido o dom.

Embora tenha sido humilhado pela crítica, o disco vendeu bastante também, chegando ao 20º lugar da Billboard Top 200 e chegando ao ouro, sendo o 4º consecutivo da banda. Infelizmente, por causa das críticas horrorosas, "Gimme Back..." foi o único das formações clássicas a não chegar à platina, mas, como já falei, isso não diminui a qualidade do trabalho.

Músicas incríveis é o que temos de sobra aqui: "Double Trouble", que fala sobre a "Torture Tour", "Every Mother's Son", a pesada "Cry For The Bad Man", o bluesão pesado "I Got The Same Old Blues" (que é um cover de J.J. Cale), o hit auto-intitulado, "All I Can Do Is Write About It", que é uma das músicas mais lindas que eu já ouvi na vida, além de ser a preferida da filha de Melody, a filha de Ronnie, e a também clássica "Searchin'", que foi muitíssimo bem aproveitada nas turnês seguintes.

Enfim, galerinha contente, se é um grande clássico que vocês querem, com músicas maravilhosas, aqui está ele!

Ronnie Van Zant - Vocals
Gary Rossington - Lead and rhythm guitar
Allen Collins - Lead and rhythm guitar
Leon Wilkeson - Bass, backin' vocals
Artimus Pyle - Drums, percussion
Billy Powell - Keyboards, piano

Cassie Gaines - Backin' vocals
Jo Jo Billingsley - Backin' vocals
Leslie Hawkins - Backin' vocals
Lee Freeman - Harp on 4
Barry Lee Harwood - Dobro, mandolin and violin on 9

1. Gimme Back My Bullets
2. Every Mother's Son
3. Trust
4. I Got The Same Old Blues
5. Double Trouble
6. Roll Gypsy Roll
7. Searchin'
8. Cry For The Bad Man
9. All I Can Do Is Write About It

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Bruno Gonzalez

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Lynyrd Skynyrd - Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd [1973]


As raízes do Lynyrd Skynyrd se deram na metade da década de 1960, quando colegas de escola e conhecdos se juntaram para fazer um som. Após ter vários nomes, chegaram à Lynyrd Skynyrd - uma forma diferenciada de se fazer referência ao professor de ginástica do vocalista Ronnie Van Zant, do guitarrista Gary Rossington e do baterista Bob Burns, que suspendia os alunos justamente pelos seus longos cabelos. Não se sabe a reação do professor, mas que eternizaram o cara, isso é fato. (risos)

Após muitos ensaios, shows, tentativas de contrato com gravadoras e mudanças de line-up, os caipiras de Jacksonville foram descobertos pelo multi-instrumentista e produtor Al Kooper, que garantiu um contrato na MCA Records para os mesmos, que já estavam predestinados ao sucesso.

"Pronounced 'leh-'nerd 'skin-'nerd", "Pronounced" ou simplesmente o álbum auto-intitulado, foi um petardo revolucionário e digno de ser ovacionado, pois realizou uma espécie de evolução com o trabalho anteriormente apresentado por conjuntos como The Allman Brothers Band, cruzando Rock n' Roll com Blues e Country de uma forma madura, consistente, com refrões cantaroláveis e solos de guitarra impressionantes.


Logo de cara, com "I Ain't The One", percebe-se que os caras não estavam pra brincadeira: a contagiante e grooveada canção permanece até hoje como um dos carros-chefe e indispensável em qualquer "best of" que seja feito para o grupo. O ritmo cai com a belíssima balada "Tuesday's Gone", liderada pela emoção impressa na voz de Ronnie e minuciosamente detalhada, chegando a ter uma orquestra em sua passagem instrumental, mas logo os ânimos são retomados com a cativante "Gimme Three Steps", onde Gary dá um show nas seis cordas e dá uma aula de como se fazer Southern Rock.

Novamente o cenário fica mais calmo com a perfeita "Simple Man", outra balada repleta de feeling e que até hoje consegue não soar piegas. Mas as faixas seguintes mantém a sonoridade "música de cabaré de beira de estrada" com a sequência matadora de "Things Goin' On", "Mississipi Kid" e "Poison Whiskey" - esta, endiabrada e digníssima de se ouvir no talo, é uma referência à lenda do Blues, Robert Johnson.

E se o ouvinte acredita que a perfeição fora atingida no andamento de "Pronounced", com certeza o mesmo não ouviu o lendário fechamento: "Free Bird" emociona até pedra durante seus 9 minutos de duração. Inicialmente, com um riff no slide e o piano mágico de Billy Powell, Ronnie tem uma base excelente para, novamente, cantar com muito sentimento em sua voz anasalada. A bela letra dá uma sensação de liberdade à qualquer indivíduo que preste atenção na mesma, e quando menos se espera, o ritmo se acelera e é hora de Allen Collins brilhar com um dos solos de guitarra mais divinos da história - e a divindade é tanta que dura 5 minutos e ainda inclui outras duas guitarras solando!

Com muita classe fecha-se "Pronounced", que hoje já vendeu mais de 6 milhões de cópias nos Estados Unidos e permanece como um clássico inconstestável da música em geral. Além disso, "Free Bird" chegou ao top 20 das paradas estadunienses e o play, de uma forma geral, deu credibilidade para que os caipiras fizessem muita música boa nos anos seguintes. Com muito whiskey e bacon, "Pronounced" merece uma conferida daquelas!

01. I Ain't The One
02. Tuesday's Gone
03. Gimme Three Steps
04. Simple Man
05. Things Goin' On
06. Mississippi Kid
07. Poison Whiskey
08. Free Bird

Ronnie Van Zant - vocal
Gary Rossington - guitarra solo em 2 até 5 e 7, guitarra base
Allen Collins - guitarra solo em 1 e 8, guitarra base
Ed King - baixo, guitarra base, guitarra solo em 6
Billy Powell - teclados, piano, órgão Hammond
Bob Burns - bateria

Músicos adicionais:
Al Kooper (Roosevelt Gook) - baixo em 2 e 6, mellotron em 2 e 8, mandolin em 6, órgão em 4, 7 e 8
Robert Nix - bateria em 2
Bobbi Hall - percussão em 3 e 5
Steve Katz - gaita em 6

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by Silver