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terça-feira, 27 de setembro de 2011

John Mayall Bluesbrakers – A Hard Road [1967]



Eric Clapton is God

Essa era a imagem do Slowhand em meados dos anos 60, em razão do seu trabalho com os Yardbirds, traduzida em um grafite na parede do metrô de Londres.

Descontente com o rumo dos trabalhos de sua banda, Clapton abandonou o barco e foi se juntar com aquele que é considerado um dos precursores do british blues eletrificado: John Mayall e seus Bluesbrakers.

Os Bluesbrakers com Clapton logo atingiram o status de Cult. O disco Beano hoje é o mais vendido da carreira de Mayall, que, convenhamos, é bastante prolífica. Os timbres de amps Marshall cuspindo fogo pelas ventas eram uma novidade na época, pois, em 66, os sistemas de distorção de som ainda eram precários. Clapton resolveu isso lacrando todos os botões no máximo e obtendo um dos timbres mais quentes da história do rock. O guitarrista, então, sai para montar o Cream e leva consigo o baixista Jack Bruce. o Cream é produto da escola Mayall.



Foi nesse cenário que surge um rapaz de 19 anos chamado Peter Green, com a espinhosa função de substituir Eric “God” Clapton nos Bluesbrakers. O legado devia ser mantido por sua glória, mas a identidade própria era requisito de exigibilidade para a sobrevivência da carreira de Green. Ele não podia ser um clone de Clapton, mas tinha que se mostrar tão bom quanto.

Caro passageiro, o resultado foi tão explosivo que, hoje, poucos fãs ousam discutir qual dos dois discos é melhor: Beano ou A Hard Road. Os timbres característicos da Les Paul de Green fizeram escola. O músico também contribuiu com composições próprias, a exemplo da fantástica instrumental The Super Natural. Essa guitarra (uma Gibson Les Paul 1959) se tornaria um peso sobre os ombros de Green, que a vendeu e, anos depois, foi adquirida por Gary Moore (Moore não comprou direto de Green como alguns pensam).



Green, depois, leva consigo o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood e forma o Fleetwood Mac, mais um produto da espantosa escola Mayall. Também foi acometido de esquizofrenia em razão do abuso de drogas e isso o tirou de cena durante as décadas de 70 e 80, reaparecendo com seu Splinter Group na segunda metade dos anos 90.

Mas aqui está o filé. Peter Green querendo mostrar serviço aos 19/20 anos de idade substituindo ninguém menos que aquele que era considerado o melhor guitarrista do mundo à época (Hendrix surgiu pouquíssimo tempo depois). Deguste o que há de melhor na escola britânica do blues.



Sobre a história, cabe a seguinte citação do site oficial de Mayall:

After Clapton and Jack Bruce left the band to form Cream, a succession of great musicians defined their artistic roots under John's leadership, and he became as well known for discovering new talent as for his hard-hitting interpretations of the fierce Chicago-style blues he'd grown up listening to. As sidemen left to form their own groups, others took their places. Peter Green, John McVie and Mick Fleetwood became Fleetwood Mac. Andy Fraser formed Free, and Mick Taylor joined the Rolling Stones. As Eric Clapton has stated, "John Mayall has actually run an incredibly great school for musicians."

Mais do que um simples disco para cumprir tabela com as gravadoras, aqui está um encontro entre talentos no qual rolou uma química sem igual. É mais uma aula de blues elétrico da escola Mayall. Aprenda com o mestre Mayall o que é blues elétrico.

Ah! Não escrevi no título para guardar a informação aos que resolveram ler a resenha: esta é a Expanded Edition, um cd duplo que saiu em 2003 contendo o famoso EP da jam que a banda fez com Paul Butterfield como bônus.



Definitivamente, não é para qualquer um. Espero que curtam.

Track List

CD 1

1 A Hard Road 3:10
2 It's Over 2:47
3 You Don't Love Me 2:40
Vocals - Peter Green (2)
4 The Stumble 2:50
5 Another Kinda Love 3:06
6 Hit The Highway 2:10
7 Leaping Christine 2:18
8 Dust My Blues 2:43
9 There's Always Work 1:38
10 The Same Way 2:07
Vocals - Peter Green (2)
11 The Super-Natural 2:57
12 Top Of The Hill 2:34
13 Some Day After Awhile (You'll Be Sorry) 2:57
14 Living Alone 2:20
15. Evil Woman Blues 4:05
16. All My Life 4:25
17. Ridin' on the L&N 2:32
18. Little by Little 2:47
19. Eagle Eye

CD 2

1.Looking Back 2:37
2. So Many Roads 4:47
3. Sitting in the Rain - 2:59
4. Out of Reach 4:44
5. Mama Talk to Your Daughter 2:39
6. Alabama Blues 2:31
7. Curly 4:51
8. Rubber Duck 4:00
9. Greeny 3:56
10. Missing You 1:59
11. Please Don't Tel 2:29
12. Your Funeral and My Trial 3:56
13. "Double Trouble" 3:22
14. "It Hurts Me Too" 2:57
15. Jenny - 4:38
16. Picture on the Wall - 3:03
17. First Time Alone – 5:00


John Mayall (vocais, guitarra, harmonica, piano, órgão)
Peter Green (vocais, guitarra, harmonica)
John McVie (baixo)
Colin Allen, Aynsley Dunbar, Hughie Flint (bateria)
John Almond e Alan Skidmore (saxophone)
Ray Warleight (sopros)


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Por Zorreiro

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

John Mayall´s Blues Breakers - John Mayall´s Blues Breakers With Eric Clapton [1966]



Eric Clapton define esse registro com o disco definitivo de sua carreira, aquele que atraiu a atenção para seu blues rock cheio de identidade e de influências de artistas como Robert Johnson, Muddy Waters e Otis Spann, só para citar alguns. E não á toa, pois ao lado de feras como John Mayall e John Mc Vie, Clapton pela primeira vez assombra o mundo com seu feeling absurdo e confirma de vez a famosa afirmação "Clapton Is God", que ganhou durante o período que tocava em vários clubes ao redor da Inglaterra.

Oriundo da então pequena Ripley, Clapton durante sua infância e adolescência uma vida reclusa, em que recusava chamar a atenção de quem estava ao seu redor. Isso muito se deu pela sua criação, em que foi criado por sua avó materna e seu segundo marido, que o tratavam como filho. E durante esse meio tempo ele conhece sua mãe, e acaba se sentindo rejeitado por ela. Com toda essa história de novela mexicana, Clapton acaba por encontrar na música sua grande paixão, e começa sozinho a aprender a tocar um violão, imitando as gravações que ele escutava de música folk e do próprio blues.


Já com um tempo aprendendo sozinho, e bastante obcecado em atingir o objetivo de se tornar músico, ele entra no Yardbirds, onde consegue notoriedade, mas acaba por sair da banda, por não concordar com o direcionamento pop ao qual estavam seguindo. E foi após a saída do Yardbirds que através de Ben Palmer, que passa o contato de Clapton para John Mayall, que já tinha uma boa reputação, que Eric passa a ser o novo guitarrista do Blues Breakers. E após a entrada dele, a banda teve seu som direcionado para o blues de Chicago, o que agrada muito a Mayall, que também era um adepto dessa vertente e via ali um jovem (Clapton é 12 anos mais jovem que Mayall) que levava o blues tão a sério quanto ele.

Após um bom tempo em turnê, a banda entra em estúdio no ano de 1966. Em apenas três dias, eles gravam esse registro, que era basicamente o set que eles faziam nos shows, com adição de algumas sessões de sopros. E durante as gravações uma das preocupações foi de que tudo soasse como um disco ao vivo, e pelo seu curto tempo de gravação, somos presenteados com uma gravação crua e áspera, que vai direto ao ponto e que nos entrega uma aula de blues rock, em que todo o grupo dá uma aula, desde o já conhecido Clapton, John Mc Vie antecipando o que ele faria posteriormente no Fleetwood Mac, John Mayall bem nos vocais e Hughie Flint com competência nas baquetas.



Músicas atemporais e muitas bem executadas são apresentadas aqui. A abertura com "All Your Love" nos apresenta o tradicional timbre de Clapton, com solos transpirando feeling para todos os lados, e que confirma que não se precisar tocar 60 notas por segundo para ser um excelente guitarrista, e onde a cozinha segura as pontas de maneira exemplar. "Hideaway" é uma verdadeira aula de como uma banda tem de trabalhar e é um instrumental daqueles que tem de ser apreciado no volume máximo. Todo disco é excelente, mas por questão de gosto recomendo a sensacional versão de "What'd I Say" gravada originalmente por Ray Charles e que ainda faria referência a "Day Tripper" dos Beatles, "Have You Heard" e "Ramblin’ on My Mind", onde Clapton assume os vocais.

Um registro que em poucos momentos soa datado, feito com um feeling absurdo por músicos que manjavam do riscado. Esse é um dos discos que devem ser apreciados antes de morrer e que com certeza aumentará ainda mais a admiração por esse músico monstruoso que é Eric Clapton. OBRIGATÓRIO!




1.All Your Love
2.Hideaway
3.Little Girl
4.Another Man
5.Double Crossing Time
6.What’d I Say
7.Key to Love
8.Parchman Farm
9.Have You Heard
10.Ramblin’ on My Mind
11.Steppin’ Out
12.It Ain’t Right


John Mayall – Vocais, Piano, Órgão Hammond B3 , Gaita
Eric Clapton – Guitarras, Vocais em "Ramblin' on My Mind"
John McVie – Baixo
Hughie Flint – Bateria



By Weschap Coverdale