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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Kiske/Somerville - Kiske/Somerville [2010]


As declarações recentes indicam que Michael Kiske está bem mais à vontade com o mundo do Rock pesado. As apresentações com o Unisonic e o reencontro com os fãs o reaproximaram de um sentimento positivo em relação ao que o incomodava nas últimas décadas. Sendo assim, aqui está o cidadão e sua mais que fantástica voz em uma nova empreitada. A novidade fica pela adição de uma companheira, a norte-americana Amanda Somerville (Aina, Avantasia, entre outros). As composições do primeiro álbum ficaram por conta de Mat Sinner (Primal Fear, Sinner), Magnus Karlsson (Primal Fear, Starbreaker, Allen/Lande) e Sander Gommans (After Forever).

O estilo adotado no trabalho mescla o Hard e o Heavy, com bastante ênfase nas melodias. O Place Vendome, de Kiske, pode ser um bom parâmetro inicial, embora aqui tenhamos uma dramaticidade maior, realçada pelos duetos. A coisa já começa bem interessante com “Nothing Left to Say”, som com levada mais puxada para o Metal e que poderia ter saído no Pink Bubbles Go Ape, ou até mesmo ter sido uma das passagens mais comerciais dos Keepers. Na seqüência, o primeiro single, “Silence”, em versão maior que a usada para promoção. Passagens orquestradas ressaltam a grandiosidade, com a dupla em uma de suas melhores performances de todo o disco. “If I Had a Wish”, segunda música de trabalho, é um Happy Happy Helloween misturado com Masterplan do primeiro album que vai fazer a alegria dos saudosistas.



Os riffs mais pesados surgem na abertura de “Arise”, que alterna com momentos mais calmos, criando um clima bem agradável aos ouvidos. Um dos momentos mais brilhantes acontece na cadenciada “End Of The Road”. Envolvente e com um refrão simplesmente fantástico, tem tudo para figurar entre as preferidas da galera. Sua complexidade chega a lembrar o Savatage da fase Edge Of Thorns. O Melodic Rock aparece em “Don’t Walk Away”, canção de fácil assimilação, com grande potencial para hit em épocas mais favoráveis ao estilo. “A Thousand Suns” é uma mid-tempo que, confesso, não me chamou tanto a atenção, exceto por uma passagem de violão lá pelo meio extremamente bonita – sempre gosto desse tipo de coisa.

Certa atmosfera com um quê de gótico dita o ritmo de “Rain”. Não que tenha ficado esquisito, apenas uma curiosidade, tendo em conta o background dos envolvidos. A baladinha dramática “One Night Burning” é pontuada por um belo piano. Bacana, mas nada demais. “Devil In Her Heart” lembra um pouco as bandas atuais do Scandi-AOR, estilo abraçado pela Frontiers nos últimos anos. O tracklist normal é encerrado com “Second Chance”, aquela que possui influências Pop mais acentuadas. O clima mais sereno ficou excelente na combinação de vozes. Ainda tem a bônus “Set A Fire”, para encerrar de vez. E aí, parece que o Zakk Wylde apareceu para fazer uma participação especial no riff de abertura. A mais Heavy atual de todas. Talvez, até por isso, tenha ficado de fora da versão regular, pois soaria um pouco deslocada no contexto.



Trabalho muito bom, com uma fórmula que, se não é mais tão original como em outras épocas, ainda pode render bons frutos. Penso que a primeira parte é bem superior, embora a metade final tenha seu valor também. Até aqui o trabalho de Michael que mais se aproximou do que o vocalista fazia em sua época áurea, embora ainda com certa distância. Até porque, sejamos sinceros, se fosse para voltar a fazer o que fazia em 1987, ele saberia como e anda ganhando bem mais. Aguardemos agora o Unisonic, próxima empreitada de Kiske a lançar seu play. Até lá, esse aqui preenche bem o tempo de espera.

Michael Kiske (vocals)
Amanda Somerville (vocals)
Magnus Karlsson (guitars, keyboards)
Mat Sinner (bass)
Jimmy Kresic (keyboards)
Martin Schmidt (drums)

Special Guest
Sander Gommans (guitars)

01. Nothing Left To Say
02. Silence
03. If I Had A Wish
04. Arise
05. End of the Road
06. Don’t Walk Away
07. A Thousand Suns
08. Rain
09. One Night Burning
10. Devil In Her Heart
11. Second Chance
12. Set A Fire (Bonus Track)

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JAY

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Michael Kiske - Past In Different Ways [2008]


Michael Kiske. Uma figura que pode se adequar a dois extremos da forma mais conveniente possível. De um lado, está um dos vocalistas mais influentes do Heavy Metal e inegavelmente o mais influente da vertente Power Metal. O cara que fez história em sua estadia no Helloween. De outro lado, está um homem problemático e controverso, que ficou mais de 15 anos sem fazer turnês com os projetos que liderava, que teve uma saída nebulosa da banda que o consagrou e que já chegou a afirmar que não gosta e nunca gostou de metal.

Enquanto que a personalidade é certamente conturbada, o talento é inquestionável. Multi-instrumentista, versátil e dono de uma voz marcante, Kiske é, repito, um dos vocalistas mais influentes do Heavy Metal. Apesar de sua carreira solo não ter recebido muita atenção da mídia, seu catálogo está aí para provar isso.

E não é diferente no mais ousado registro dessa tal discografia: "Past In Different Ways", lançado em maio de 2008 pela Frontiers Records. Com exceção de uma inédita, intitulada "Different Ways", todas as faixas são antigas canções do Helloween em versões acústicas. Daí a principal controvérsia, já que Kiske queria se desligar do mundo do metal, mas tocando músicas do antigo conjunto não foi a melhor pedida nessa intenção. De início, o próprio vocalista era contra a idéia, mas acabou cedendo graças ao dono da Frontiers, Serafino Perugino.



Como aqui o que importa é a música, não é lógico criticar "Past In Different Ways". Trata-se de um álbum impecável do início ao fim. Perfeitamente musical e cativante, com versões incríveis de um apanhado de músicas que não poderia ter sido melhor escolhido, já que abordou aquelas que melhor ficariam no formato.

O instrumental manda brasa tanto na preservação da essência das canções quanto na inserção de novos instrumentos, como violinos e instrumentos de sopro. A maior surpresa fica para a performance de Michael Kiske, que só pode ser descrita através de uma palavra: animal! O homem ainda canta muito, demonstra saúde em suas cordas vocais e não perdeu o seu maior atrativo, que é o sentimento que insere em cada palavra cantada.

Entre os destaques, cabem citações tanto às belas "Your Turn", "We Got The Right" e "When The Sinner", que já se mostravam maleáveis ao formato acústico, como às arriscadas "Kids Of The Century" e "A Little Time", que conseguiram surpreender e cativar.



01. You Always Walk Alone
02. We Got The Right
03. I Believe
04. Longing
05. Your Turn
06. Kids Of The Century
07. In The Night
08. Goin’ Home
09. A Little Time
10. When The Sinner
11. Different Ways

Michael Kiske - vocal, violão, teclados
Sandro Giampietro - violão
Fontaine Burnett - baixo
Karsten Nagel - bateria

Músicos adicionais:
Hanmari Spiegel - violino, piano na faixa 10
George Spiegel - acordeão, trombone
Benny Brown - trompete em 2

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by Silver