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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Badlands - Voodoo Highway [1991]


A história do Badlands já foi contada na postagem anterior, feita pelo camarada Weschap Covardale - por sinal, a trajetória inicial é pra lá de interessante e o primeiro disco merece ser conferido. Mas vamos ao que interessa no momento! A recepção da estreia do supergrupo não foi das melhores, como se aguardava - apesar de terem conquistado espaço moderado nas rádios especializadas e na MTV, bem como a 57ª posição nas paradas da Billboard. O baterista Eric Singer abandonou o barco para integrar o Kiss, então os remanescentes logo correram atrás de um baterista. O escolhido foi Jeff Martin, multi-instrumentista já conhecido por ser o vocalista do (na época extinto) Racer X.

Os conflitos entre o guitarrista Jake E. Lee e o vocalista Ray Gillen se tornavam cada vez mais aparentes. Jake acusou Ray de estar tentando deixar a banda com sonoridade mais comercial. O grupo estava recusando ordens da Atlantic Records, como a de trabalhar com o compositor Desmond Child. Ray teve algumas composições recusadas para o disco e isso o frustrou. O relacionamento da dupla entre si e com a gravadora piorava cada vez mais.

Felizmente, nada disso tirou a qualidade musical do Badlands como um conjunto musical. Lançado em junho de 1991, "Voodoo Highway" recebeu críticas negativas e vendeu muito menos que seu antecessor (apenas 100 mil cópias nos Estados Unidos, enquanto o anterior teve um número quatro vezes maior de vendas), mas é um álbum de muito bom gosto e uma finesse incomparável quando se tem os grupos da época como parâmetro.

Da esquerda pra direita: Greg Chaisson, Jake E. Lee, Ray Gillen, Jeff Martin

Num âmbito geral, pratica-se aqui um Hard Rock que, apesar de manter os aspectos contemporâneos, é bem calcado na ala setentista do gênero, onde a influência e a "metalização" do Blues era notória. É de praxe comparar o som dos caras com o de grupos como Led Zeppelin e Bad Company, e a semelhança é trivial, porém em "Voodoo Highway" as canções tiveram uma identidade mais própria, permitindo até algumas inserções baseadas no Funk. Sonzeira diferenciada, pouquíssimo encontrada após o fim da década de 1970. Valem menções honrosas para as pedradas "Heaven's Train" e "The Last Time", a blues-metal "Silver Horses", a botequeira (favor ler o termo anterior na sequência correta das sílabas) "Whiskey Dust" e a cheia de ritmo "3-Day Funk".

A trajetória conturbada do quarteto não afetou a química em nenhum momento. Os talentos particulares, de tão formosos, não se ofuscavam. Ray Gillen, exuberante vocalista, canta do início ao fim com um feeling imensurável, de calmos sussurros até agudos berros. Jake E. Lee, guitarrista fantástico, mostrou um trabalho invejável nas seis cordas, fundindo soberbamente Jimmy Page à Eddie Van Halen. Greg Chaisson, baixista eficiente, apresenta boas linhas de baixo e obtém destaque em várias passagens. Jeff Martin, baterista habilidoso, impressiona pela sua habilidade no kit e criatividade ao tecer linhas de bateria que alternam entre momentos pesados e "suingados" sem soar forçado. Como se não bastasse, Gillen e Lee formavam uma ótima dupla de compositores.



De forma lastimável, a tensão entre Gillen e Lee se agravou com a demissão da Atlantic e um passou a culpar o outro pelos fracassos comerciais, resultando na saída do vocalista antes do início da turnê inglesa e na sua substituição por Debby Holiday - cantora de Soul Music -, o que deixou todos bem confusos. Ray e Jake passaram a se atacar na mídia e cada um deu uma entrevista para a revista Kerrang!, trocando farpas. Holiday não vingou e Gillen foi contratado para terminar a turnê. Durante um show no pub Astoria de Londres, o vocalista mostrou uma cópia da revista e afirmou que "existem dois lados pra cada história", gerando uma tensão bizarra entre a banda em cima do palco. Mas não houve briga - o show simplesmente continuou, a turnê acabou e o Badlands idem.

Por fim, Ray Gillen faleceu em dezembro de 1993, vítima de complicações geradas pela AIDS, pouco depois de formar uma nova banda, Sun Red Sun. Greg Chaisson e Jeff Martin se encontraram em outras bandas, como o Red Sea, e este reformaria o Racer X um tempo depois. Jake E. Lee tem uma carreira solo de pouca repercussão. "Dusk", recheado de sobras de estúdio, foi lançado em 1998 e desde então o nome do Badlands só foi falado pelos seus ávidos fãs. Compensa bastante conferir "Voodoo Highway" e se tornar um deles.

01. The Last Time
02. Show Me The Way
03. Shine On
04. Whiskey Dust
05. Joe's Blues
06. Soul Stealer
07. 3-Day Funk
08. Silver Horses
09. Love Don't Mean A Thing
10. Voodoo Highway
11. Fire And Rain (James Taylor cover)
12. Heaven's Train
13. In A Dream

Ray Gillen - vocal
Jake E. Lee - guitarra, violão, backing vocals
Greg Chaisson - baixo
Jeff Martin - bateria, backing vocals

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by Silver

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Badlands - Badlands [1989]


Um supergrupo que tinha tudo para explodir. Era esta a definição dada ao Badlands em seu surgimento no ano de 1988, e podemos dizer que não era à toa devido ao line-up quase que perfeito da banda. Como fundador do grupo, temos o virtuoso Jake E. Lee, que havia sido guitarrista da banda do madman Ozzy Osbourne. Para os vocais foi convidado Ray Gillen, que já havia sido vocalista do Black Sabbath no início das gravações do disco Eternal Idol e participou do sensacional projeto Phenomena. Para completar o time temos Eric Singer nas baquetas, que dispensa qualquer apresentação e o não menos habilidoso Greg Chaisson no baixo.

E o que é apresentado é um hard rock energético com doses generosas de blues, com grandes influências de Led Zeppelin e Whitesnake, onde observamos uma mistura perfeita dos dois. E a influência do Led já é sentida na faixa de abertura, a poderosa “High Wire”, onde podemos fechar os olhos e dizer facilmente que essa faixa poderia ter saído de qualquer um dos primeiros discos deles. “Dreams in the Dark” mantém a energia inicial do registro e é talvez a melhor música deste disco soberbo, um hard de primeira com atuação sublime de Gillen, mostrando o motivo de o mesmo ter sido escolhido para o posto de vocalista da banda.



“Jade’s song” é apenas uma pequena abertura para a excelente “Winter’s Call” que começa como uma calma balada mais se transforma em mais uma paulada das boas onde a banda toda se destaca, e mais uma vez temos uma faixa em um estilo totalmente “zepelliano”, em riffs que nos fazem pensar que estamos escutando o próprio Jimmy Page.

Em “Dancing on the edge” temos a musica que se aproxima mais do hard oitentista e mantém a qualidade inicial do disco, sendo um hard vigoroso e onde mais uma vez Ray Gillen mostra o alcance de seu gogó (rs). “Streets Cry Freedom” começa como um blues rock no estilo que o Whitesnake fazia nos anos 70 e que se transforma após sua metade inicial, tendo várias alterações em sua pegada, em que Greg Chaisson se destaca dessa vez, é só prestar atenção na linha de baixo dele nessa música para constatarmos que ele não fica atrás de nenhum dos outros músicos da banda.

“Hard Driver” volta a acelerar tudo novamente e mostra a qualidade superior da banda e que realmente eles não estavam para brincadeira, com destaque para os riffs que tem no meio da música, que são não menos que espetaculares e mostram todo o virtuosismo e poder de fogo de Jake E. Lee. “Rumblin’ Train” tem o pé enfiado no blues e fica difícil até de acreditar que este disco foi realmente lançado no final dos anos 80, pois destoa do hard rock em voga naquela época.

A até o final do play a qualidade se mantém lá em cima com “Devil’s Stomp”, a emotiva balada “Seasons”, onde Gillen dá um show de feeling e fechando o disco com chave de ouro temos “Ball and Chain”. Apesar das ótimas críticas que o disco teve, a aceitação do público foi extremamente baixa e foram vendidas apenas 400.000 cópias, devido a intensidade do som que não foi facilmente assimilado. Se você gosta de um hard n’ blues sem frescuras, como o praticado por bandas como Led Zepellin e Whitesnake antes de 1987, pode baixar correndo.


01.High Wire
02.Dreams in the Dark
03.Jade’s Song
04. Winter’s Call

05. Dancing on the edge

06.Streets Cry Freedom

07.Hard Driver
08.Rumblin’ Train

09.Devil’s Stomp

10.Seasons
11.Ball and Chain



Ray Gillen – Vocais
Jake E. Lee – Guitarras

Greg Chaisson – Baixo

Eric Singer - Bateria


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By Weschap Coverdale

terça-feira, 20 de abril de 2010

Badlands - Hard Driver: Live At Harriet Island Riverfest, St. Paul, MN [1989]


Raridade das boas! Que o Badlands foi uma das super-bandas mais incríveis do fim dos anos 1980, qualquer hard rocker mais assíduo sabe. Mas poucos tiveram a oportunidade de conferir uma boa performance dos mesmos, visto que o grupo teve pouco tempo de vida. Então aqui vai uma das melhores opções disponíveis em toda a web: uma bootleg da primeira turnê da banda, gravada no Harriet Island Riverfest de St. Paul, Mn no dia 30 de julho de 1989.

A qualidade de som está muito boa, o repertório conta com quase todo o primeiro álbum na íntegra, clássicos como Hard Driver, High Wire, Dreams In The Dark e Winter's Call provam toda a competência do conjunto e toda a parte instrumental de Streets Cry Freedom (com mais de 10 minutos nesse concerto) mostra que os caras não estavam ali para brincar. Precisa de mais?

01. Hard Driver
02. Ball And Chain
03. Winter's Call
04. Dancing On The Edge
05. Rumblin' Train
06. Devil's Stomp
07. Jade's Song
08. Dreams In The Dark
09. Streets Cry Freedom
10. High Wire

Ray Gillen - vocal
Jake E. Lee - guitarra
Greg Chaisson - baixo
Eric Singer - bateria

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by Silver