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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Deep Purple – In Rock [1970]


Há males que vem para o bem. Essa interpretação é perfeitamente compreensível no que diz respeito à saída do vocalista Rod Evans e do baixista Nick Samper, que na verdade foram despedidos pelos integrantes remanescentes do Deep Purple após registrarem três discos: “Shades Of Deep Purple”, “The Book Of Taliesyn” e o auto-intitulado. As coisas não iam muito bem para a banda, que estava sem gravadora e sem grana. A mudança na formação afundaria o conjunto ou o levaria ao estrelato. No fim das contas, a segunda opção era inevitável. Mas é uma proeza de poucos arriscar o que tem para ter a visão para essa “jogada”.

Os novos vocalista e baixista eram, respectivamente, Ian Gillan e Roger Glover. A aposta do guitarrista Ritchie Blackmore, do baterista Ian Paice e do tecladista Jon Lord nesses dois novos membros fora realizada justamente para dar mais peso ao som. E isso se reflete perfeitamente no primeiro disco gravado pela formação, “In Rock”.



As diferenças entre o novo álbum e seus antecessores se tornam ainda mais claras quando se compreende que não houve mais liderança na banda, como anteriormente era de Jon Lord. As inserções de Lord chegavam a sobrepor as guitarras do genioso Blackmore, algo inexplicável para aqueles que conhecem a excentricidade e o egocentrismo do guitarrista. De uma banda com um som classicamente sessentista, datado e com doses de psicodelia, o Deep Purple investiu em uma proposta pesada, bem arranjada, técnica e principalmente: alta.

É incrível pensar que o Purple soava tão afiado com menos de um ano de trabalho. A sensação passada durante a audição de “In Rock” é que o quinteto já trabalhava junto há anos, tamanho o entrosamento dos envolvidos. Não apenas pelas composições, que alternavam entre momentos calmos (Living Wreck), épicos (Child In Time), pesados (Bloodsucker) e rápidos (Speed King), como também pela performance: os riffs técnicos e os solos grandiosos de Ritchie Blackmore, o baixo visceral de Roger Glover, as linhas de bateria pra lá de habilidosas de Ian Paice, as camas de órgão Hammond originais de Jon Lord e os vocais invocados de Ian Gillan. Tudo soa perfeito.



O campo era propício para que o Deep Purple despontasse pelo velho continente – e despontou, mas de forma gradativa e relativamente tímida. Apesar do grande sucesso chegar apenas com o clássico “Machine Head”, lançado dois anos após, “In Rock” é responsável por ser um dos embriões do Heavy Metal. Excelente do começo ao fim.

01. Speed King
02. Bloodsucker
03. Child In Time
04. Flight Of The Rat
05. Into The Fire
06. Living Wreck
07. Hard Lovin' Man

Ian Gillan – vocal
Ritchie Blackmore – guitarra
Roger Glover – baixo
Ian Paice – bateria
Jon Lord – órgão

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by Silver

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

V.A. - Smoke on the Water: A Tribute to Deep Purple [1994]


Em meio à enxurrada de tributos caça-níqueis que assolou a cena nos últimos anos, temos aqui um grande exemplo de homenagem honesta, feita por artistas que realmente tiveram influência do Deep Purple em suas carreiras. Ok, até parece que a banda não serviu de inspiração para milhares e milhares de músicos. Mas aqui temos a nata do Hard Rock prestando uma homenagem mais que relevante. Apenas os vocalistas e guitarristas variam entre as faixas, com a cozinha e teclados permanecendo sempre a mesma. E nem precisava mudar mesmo, já que estamos falando de gente do porte de Jens Johansson (Yngwie Malmsteen, Stratovarius), Deen Castronovo (Hardline, Ozzy Osbourne, Journey) e Todd Jensen (Hardline, David Lee Roth).



É até difícil citar algum destaque em especial, mas Ritchie Kotzen (pra variar) manda ver uma versão cheia de suíngue para “Rat Rat Blue”, a deixando bem com a sua cara. Memorável, para dizer o mínimo. Paul Gilbert também deixa sua marca em “Maybe I’m a Leo”, com um andamento mais lento e mostrando seus dotes vocais, muitas vezes deixados de lado. O play também serviu para reunir duas duplas da pesada: Glenn Hughes e John Norum; Joe Lynn Turner e Yngwie Malmsteen – além de adiantar a futura parceria de Don Dokken com Reb Beach. E claro que o arroz-de-festa Jeff Scott Soto não poderia ficar de fora, sempre mandando bem.

Quem é fã do Purple e/ou dos envolvidos nessa empreitada, pode baixar sem medo, pois trata-se de um dos grande tributos já lançados. Garantia de qualidade.

01. Kelly Keeling & Yngwie Malmsteen - Speed King
02. Kip Winger & Tony MacAlpine - Space Truckin'
03. Glenn Hughes & John Norum - Stormbringer
04. Ritchie Kotzen – Rat, Rat Blue
05. Joe Lynn Turner & Yngwie Malmsteen - Lazy
06. Paul Gilbert - Maybe I'm A Leo
07. Robert Mason & Russ Parrish - Smoke On The Water
08. Don Dokken & Reb Beach - Fireball
09. Jeff Scott Soto & Mike Varney - Hush
10. Tony Harnell & Vinnie Moore - Woman From Tokyo

Músicos adicionais
Dean Castronovo (drums)
Jens Johansson (keyboards)
Todd Jensen (bass)

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JAY

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Deep Purple – Nobody’s Perfect [1988]



Esse não é o melhor disco ao vivo do Purple (Made in Japan é).

Essa não é a melhor coletânea do Purple (Anthology é).

Mas esse é um registro histórico, digno de nota na trajetória de uma das melhores bandas da história do rock.

Mesmo com um hit (Perfect Strangers) e um quase hit (Knocking at your back door), o Deep Purple estava fora de moda nos anos 80. Nada mais era novidade e o cenário musical estava pautado em uma evolução natural do som dos anos 70.

O shred e o hair metal dominavam em uma ponta, enquanto, na outra, amargavam os dinossauros. O tão aguardado retorno da excelente MKII serviu para deleitar os fãs ardorosos, sem, contudo, atrair uma gama considerável de novos adeptos.

Mesmo sendo uma pedrada na cara, a Zeppeliniana Perfect Strangers (a comparação acaba sendo inevitável, principalmente com o riff de Kashmir) não vinha acompanhada de grandes canções, como a banda fizera em In Rock e Machine Head. O play era bom, mas tinha aspecto de disco feito sobre um único hit. Sabemos que não é isso, mas as vendas foram muito aquém do esperado para o grande retorno.



Depois veio The House of Blue Light e a coisa desandou. Flertando descaradamente com o pop dos anos 80, o som nem de longe lembrava a grandiloquência dos áureos tempos. The call of the wild tem um clip que, se cortarmos o áudio, lembra Duran Duran. Os velhos desentendimentos internos estavam mais latentes do que nunca e o fim do tão aguardado retorno mostrava-se próximo. Foi nesse clima que resolveram gravar o disco ao vivo que posto hoje.

Entupido de overdubs de estúdio, sequer é citado como disco oficial pelo site da banda. Sequer aparece por lá. Mas é um grande disco. Gravado em 6 de setembro (Verona, Itália), 22 de agosto (Oslo, Noruega), 23 de maio (Irvine Meadows), 30 de maio de 1987 (Phoenix, Arizona) e 26 de fevereiro de 1988 (Hook End Manor, Inglaterra), é parte da turnê do então novo disco.

De olho na fatia perdida do mercado fonográfico, é nesse disco que está a versão de estúdio de Hush com Ian Gillan nos vocais. Billy Joe Royal compôs esse clássico que foi primeiramente gravado no disco de estreia do Purple, de 68, com Rod Evans nos vocais.



Depois disso, o Purple foi bastante inconstante, trocando diversas vezes seu staff, mas sempre mantendo a qualidade dos músicos. Joe Lynn Turner assumiu os vocais, Gillan voltou, Blackmore deu lugar a Morse e Jon Lord saltou fora.

Posso dizer, do alto da minha condição de fã da banda, que este disco mostra o fim de uma era. Do auge das grandes performances da clássica MKII, com Ian Gillan ainda destruindo nos vocais e Blackmore tendo hard rock circulando em suas veias. O trio Paice, Glover e Lord nunca perdeu o pique, por isso qualquer registro deles não é menos que espetacular.

Se você já tem, beleza. Se não tem, vai a dica.

Track List

1. "Highway Star" - 6:10
2. "Strange Kind of Woman" - 7:34
3. "Perfect Strangers" - 6:25
4. "Hard Lovin' Woman" - 5:03
5. "Knocking at Your Back Door" - 11:26
6. "Child in Time" - 10:35
7. "Lazy" - 5:10
8. "Black Night" - 6:06
9. "Woman from Tokyo" - 4:00
10. "Smoke on the Water" - 7:46
11. "Hush" - 3:30


Clima de camaradagem estampado na cara da galera


Ian Gillan (vocais)
Ritchie Blackmore (guitarras)
Jon Lord (teclados)
Roger Glover (baixo)
Ian Paice (bateria)

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Por Zorreiro

domingo, 7 de novembro de 2010

Deep Purple - Purpendicular [1996]


Por mais que alguns fãs mais nostálgicos sintam saudades até hoje, não dá para negar que a saída de Ritchie Blackmore foi mais que benéfica para o Deep Purple. Apesar de ser uma figura lendária, um dos maiores guitarristas da história do Rock and Roll, seu comportamento tornava qualquer tipo de relação pessoal insustentável dentro da banda. Sendo assim, quando os ânimos com o Ian Gillan chegaram ao ponto de onde não haveria mais retorno nem tolerância mútua (fontes próximas garantem que os dois saíram no braço, embora ambos neguem), o grupo não hesitou em optar pela manutenção do vocalista em seu posto.

O grande problema é que uma turnê pelo Japão e outra pela Europa logo na seqüência já estavam agendadas, inclusive com ingressos vendidos. O primeiro nome cogitado como substituto emergencial foi Janick Gers, do Iron Maiden e ex-companheiro do cantor em seu grupo solo. Mas os compromissos profissionais com seu emprego principal impossibilitaram a união. A salvação veio com Joe Satriani, que chegou a ser convidado para prosseguir como membro fixo, já que o público o aceitou de maneira entusiasmada. Mas o mestre dos virtuoses decidiu não abrir mão de sua carreira própria, agradecendo o convite, mas dispensando.


O guitarrista efetivo viria na figura de Steve Morse, do Dixie Dregs e ex-Kansas. Após alguns shows de aquecimento, entram em estúdio para registrar o décimo-quinto álbum de inéditas da carreira. Produzido pelos próprios músicos, Purpendicular traz uma maior diversidade, com o novo integrante procurando não seguir à risca o estilo de Blackmore, incorporando elementos que não eram estranhos a quem já conhecia sua carreira com as bandas anteriores. Nesse disco, encontra-se aquele que é o último grande clássico da carreira do grupo, a belíssima “Sometimes I Feel Like Screaming”, uma das melhores músicas sobre desespero e solidão já compostas. Presença garantida nos setlists dali pra frente.



A abertura no maior alto astral com “Vavoom: Ted the Mechanic” já mostra que o grupo estava com energia renovada, graças ao bom convívio de todas as partes. Outras que figuraram entre as mais conhecidas foram a agitada “Cascades: I'm Not Your Lover”, o baixo pulsante de “Rosa’s Cantina”, a bela performance instrumental da banda em “Hey Cisco” e a Hard Rock “Somebody Stole My Guitar”, com seu ótimo riff na introdução, além de uma das últimas grandes performances de Ian Gillan nos vocais. As acústicas “The Aviator” e “A Touch Away” servem como sopro de novidade, com a cara de Morse em seus arranjos.

Durante a turnê desse álbum, o Deep Purple visitaria o Brasil pela segunda vez em sua história. Ou primeira, para os fãs mais radicais, que simplesmente abominam a curta fase com Joe Lynn Turner nos vocais, no início da década de 1990. A excursão por terras tupiniquins seria acompanhada em sua íntegra pela MTV, que exibiria os melhores momentos no extinto (e excelente) programa MTV na Estrada, que hoje é copiada na cara dura em uma produção semelhante no Multishow, com o nome de Rock Estrada. Outros tempos do antigo melhor canal da tevê brasileira.

Ian Gillan (vocals)
Steve Morse (guitars)
Roger Glover (bass)
Jon Lord (keyboards)
Ian Paice (drums)

01. Vavoom: Ted the Mechanic
02. Loosen My Strings
03. Soon Forgotten
04. Sometimes I Feel Like Screaming
05. Cascades: I'm Not Your Lover
06. The Aviator
07. Rosa's Cantina
08. A Castle Full of Rascals
09. A Touch Away
10. Hey Cisco
11. Somebody Stole My Guitar
12. The Purpendicular Waltz

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JAY

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Deep Purple - Live In London [1974]


O Deep Purple sagrou-se principalmente após o lançamento do épico ao vivo "Made In Japan", de 1972. Hoje em dia é fácil afirmar que os caras colocam vários bootlegs de inúmeras épocas na praça porque viram que o formato dá certo - não é a toa que mais da metade da discografia oficial se consitui de bootlegs simplesmente "tratados e disponibilizados" pela própria banda. Mas o conceito histórico dessa postagem é diferente.

"Live In London", ao meu ver, é o registro definitivo da formação Mk III, constituída por David Coverdale no vocal, Glenn Hughes no baixo e vocal, Ritchie Blackmore na guitarra, Jon Lord nos teclados e Ian Paice na bateria (vale a pena conferir a postagem sobre a obra mais importante da fase, o imponente "Burn", para saber mais sobre o momento).

A gravação se deu no dia 22 de maio de 1974 no antigo teatro Gaumont State, localizado em Kilburn, distrito da capital inglesa, Londres. Interessada em registrar uma performance do quinteto, a BBC pediu autorização para gravar e, posteriormente, lançar a pepita, aproveitando a boa fase que o grupo passava. No entanto sabe-se lá porque desistiram da ideia e só em 1982, após ser bastante pirateado, o registro deu as caras, com a compra do áudio pela gravadora que gerenciava a carreira da banda, dissolvida em 1976 e só reunida - para a surpresa do público - em 1984.

Imagem do encarte do relançamento japonês em digipack

Tem-se por aqui uma performance inspiradíssima e genuinamente pauleira de um dos conjuntos mais influentes da história do Rock. Apesar de apenas sete faixas, "Live In London" contém 59 minutos de duração, jams divertidos e boa escolha de repertório, que em sua maioria traz faixas do até então recém-lançado disco "Burn".

Apenas um detalhe peca em "Live In London": a ausência de "Space Truckin'", clássica canção do álbum "Machine Head" que fora tocada no dia mas deixada de fora por conta de sua mais de meia hora de duração. Porém a falta da mesma é suprida com a presença de execuções como da pedrada "Burn" (a música), a balada incrivelmente emocionante "Mistreated" (Coverdale se superou) e o hino "Smoke On The Water" - com entrada de "Lazy" e tudo o mais -, entre outras.

Compensa conferir e dispensa comentários - minto, estes sempre são bem-vindos na Combe.

01. Burn
02. Might Just Take Your Life
03. Lay Down, Stay Down
04. Mistreated
05. Smoke On The Water
06. You Fool No One/The Mule

David Coverdale - vocal
Ritchie Blackmore - guitarra
Glenn Hughes - baixo, vocal
Ian Paice - bateria
Jon Lord - teclados, órgão

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by Silver

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Deep Purple - Slaves And Masters [1990]


Falar sobre discos polêmicos e criticados é um desafio pra qualquer redator. E toda banda com carreira um pouco mais extensa ou mais conhecida tem um álbum considerado a "ovelha negra" de toda a discografia, porém recebe o rótulo por ser diferente de todo o resto, e não pela ausência de qualidade. Esse é o caso de "Slaves And Masters", 13° trabalho de estúdio do Deep Purple.

Após desentendimentos, a reunião da formação clássica do Purple tinha um fim, com a saída do vocalista Ian Gillan. Para o posto, Joe Lynn Turner foi convocado. O homem já havia trabalhado com o guitarrista Ritchie Blackmore e o baixista Roger Glover no Rainbow, e outros projetos, ou seja, experiência não faltava. Com a entrada de um novo tripulante, era óbvio que o trabalho mudaria - já tiveram essa experiência com a entrada de Glenn Hughes, David Coverdale e Tommy Bolin, no passado -, então não é surpresa dizer que "Slaves And Masters" mostra um grupo um pouco distante de petardos como "Machine Head" e "Perfect Strangers" - o que, de fato, não é um aspecto ruim.


Em um âmbito geral, as composições mantém aspectos clássicos do Purple, como riffs impecáveis e ótimos solos de guitarra de Ritchie Blackmore, teclados e órgãos fantasticamente capitaneados por Jon Lord e uma das cozinhas mais precisas do Rock: a de Roger Glover e Ian Paice. Mas a voz de Joe Lynn Turner, mais melódica e até mais charmosa que a de seu antecessor (não significando "melhor" ou "pior"), bem como as inserções mais grudentas, deram à bolacha uma levada inspirada no AOR nos moldes do Foreigner, por exemplo, mas sem perder sua consagrada essência.

Esse "mix" gerou músicas acessíveis e muito apreciáveis para muitos (como eu), e odiáveis para outros. Gostos pessoais à parte, deve-se considerar "Slaves And Masters" como um capítulo à parte na história do grupo, e não subestimá-lo de forma alguma. Para degustá-lo corretamente, é importante evitar qualquer comparação inconveniente com outros trabalhos. Apesar de alguns insistirem, é óbvio que aqui não se tem uma nova "Smoke On The Water" ou "Child In Time" - nem a formação responsável por tais feitos conseguiram repetí-los!


"Slaves And Masters" não atraiu muitos olhares na época. Conquistou as modestas posições de número 45 e 87 nas paradas inglesas e norte-americanas, respectivamente, e os singles de "King Of Dreams" e "Love Conquers All" não tiveram bom desempenho. Mas a turnê mundial foi um grande sucesso. Passaram por toda a Europa, incluindo vários países "esquecidos" por estarem envolvidos na Guerra do Golfo, e pela América do Sul, incluindo um memorável concerto no Brasil - o primeiro por terras tupiniquins. O grupo ainda se destacou pela versatilidade dos repertórios e novas adaptações das canções, com novos medleys, tornando a formação respeitada por vários fãs do Purple.

Mas isso não foi suficiente para evitar a demissão de Joe Lynn Turner, já que os outros integrantes (com exceção de Blackmore) estavam descontentes com o rumo que a sonoridade estava tomando. A tendência era entrar mais ainda no gênero aqui apresentado, algo semelhante ao que o Aerosmith fez a partir do fim dos anos 1980. Ian Gillan foi chamado de volta para a comemoração dos 25 anos de Deep Purple e algumas demos feitas com Turner foram reaproveitadas em "The Battle Rages On", próximo e último lançamento com a formação clássica. O resto, todos já sabem.

No mais, destaques particulares ficam para a abertura marcante de "King Of Dreams", para a magnífica e quase setentista "Fire In The Basement", e para as baladas "Love Conquers All" e "Truth Hurts". Mas essa pepita é tão bela que merece ser aproveitada do primeiro fio de cabelo à unha do dedão do pé. Confiram!

01. King Of Dreams
02. The Cut Runs Deep
03. Fire In The Basement
04. Fortuneteller
05. Truth Hurts
06. Love Conquers All
07. Breakfast In Bed
08. Too Much Is Not Enough
09. Wicked Ways

Joe Lynn Turner - vocal
Ritchie Blackmore - guitarra
Roger Glover - baixo, backing vocals
Jon Lord - teclados, órgão
Ian Paice - bateria, percussão

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by Silver

sábado, 3 de julho de 2010

Deep Purple - Philadelphia 1991 [1991]


Em 1989, a primeira reunião da formação clássica do Deep Purple tinha fim. Ritchie Blackmore demitiu Ian Gillan alegando diferenças musicais (pra variar). Para o cargo de vocalista, o ex-vocalista do Rainbow de Blackmore, Joe Lynn Turner, foi convocado. A line-up lançou "Slaves & Masters" em outubro de 1990 e embarcou em uma turnê que durou por todo o ano de 1991 e, inclusive, foi a primeira que passou pelo Brasil.

"Philadelphia 1991" é um dos melhores, quiçá melhor, bootlegs dessa famigerada turnê que, apesar de ter sido um sucesso, não angariou boas vendas para o play. O show se deu no dia 20 de abril de 1990 no Tower Theater de Filadélfia, cidade norte-americana da Pensilvânia. A captação do som foi realizada diretamente da mesa de som, ou seja, tem a melhor qualidade que se pode encontrar.

A bootleg mostra um Purple renovado, com um repertório bem diferente do que costumavam fazer (o mesmo repeteco de sempre). Clássicos do cunho de "Lazy", "Perfect Strangers" e "Smoke On The Water" aliaram-se perfeitamente às novas - e excelentes - canções como "Truth Hurts", "Fire In The Basement" e "Love Conquers All", e tem-se algumas surpresas como "Burn", que não era executada pelo grupo desde 1976, e o instrumental "Difficult To Cure", baseado na Nona Sinfonia de Beethoven e rearranjado por Blackmore, Roger Glover e Don Airey nos tempos de Rainbow.


Em relação à performance, não há nada a reclamar: o entrosamento é impecável, os improvisos de sempre estão mais fantásticos do que nunca, o instrumental não peca em uma nota sequer e Joe Lynn Turner, vocalista de se tirar o chapéu, não faz feio nem um pouco. Mesmo posando de galã, aqui ele se mostrou um filho bastardo de Gillan no que tange à voz, pois os timbres são parecidíssimos, apenas mudando o modo de cantar.

Infelizmente Turner foi despedido ao fim da turnê e Gillan voltou para a turnê de 25 anos de aniversário do Purple. O resto todo mundo já sabe - Blackmore pulou fora no meio da tour subsequente, Joe Satriani foi convocado mas não quis assumir a pedrada e Steve Morse acabou assumindo o posto.

Por fim, novamente ressalto que o registro é incrível. Faz qualquer fã de Deep Purple sonhar com Ritchie Blackmore voltando a fazer Rock n' Roll e ficar de boca aberta com tamanha competência demonstrada do início ao fim. Confiram!

CD 1:
01. Burn
02. Black Night
03. Truth Hurts
04. The Cut Runs Deep
05. Perfect Strangers
06. Fire In The Basement

CD 2:
01. Love Conquers All
02. Difficult To Cure
03. Knockin' At The Back Door
04. Lazy
05. Highway Star
06. Smoke On The Water (incl. Woman From Tokyo)

Joe Lynn Turner - vocal
Ritchie Blackmore - guitarra
Roger Glover - baixo, gaita, backing vocals
Jon Lord - órgão, teclados
Ian Paice - bateria

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by Silver

domingo, 25 de abril de 2010

Deep Purple - Burn [1974]


Em 1973, o Deep Purple ia muito bem, obrigado. No auge da formação clássica, o grupo já havia dominado o mundo com seu Rock n' Roll divertido, pesado e levemente psicodélico. Mas o mundo foi surpreendido com a notícia que o vocalista Ian Gillan, após muitos desentendimentos com o guitarrista Ritchie Blackmore, sairia da banda. Com ele, também foi o baixista Roger Glover, após o mesmo descobrir que os remanescentes queriam despedí-lo.

Para os postos, foram escalados David Coverdale (vocal) e Glenn Hughes (baixo e vocal). Inicialmente, apenas Glenn Hughes seria convocado e permaenceria como vocalista principal, mas os caras optaram por ter um frontman. Para quem conhece um pouco de Hard Rock, esses nomes não são nem um pouco desconhecidos, apesar de que, antes disso, eram. Coverdale é o líder do Whitesnake e Hughes já participou de tantas bandas que nem compensa citá-las. (risos)

Com as mudanças e a liberdade de composição entregue aos novatos, era de se esperar que a sonoridade sofresse mudanças. David e Glenn eram muito influenciados pelo Blues e Soul Music, logo, suas composições inseriam mais pegada e boogie, mas sem perder o peso. Jon Lord e Ian Paice conciliaram bem as mudanças, mas Blackmore demorou pra se acostumar com tudo, não aceitando de primeira. Ironicamente, considero as guitarras desse álbum excelentes, com várias das melhores linhas já compostas pelo excêntrico Ritchie.

Enfim, "Burn" demorou um mês para ser gravado. A banda saiu da estrada em julho de 1973 e em três meses conseguiram encontrar os músicos, compor as canções do disco (isso foi realizado em duas semanas apenas) e gravar este que é um dos maiores clássicos do Hard Rock. Apesar de apenas 8 faixas, o play não precisa mais do que isso para mostrar ao mundo o poder desses caras.


Tudo começa com um genial riff de Ritchie Blackmore abrindo a faixa título com muita energia. A canção, que já se tornou um hino rocker logo de cara, conta com uma performance incrível de todos os integrantes: guitarras fantásticas, baixo bem colocado, bateria furiosa, teclados frenéticos e vozes (tanto de Coverdale quanto de Hughes) simplesmente fantásticas!

A cativante "Might Just Take Your Life" destaca Jon Lord e Glenn Hughes. O riff nos teclados ganha espaço e segue a música que, além de contar com a grande voz de David, tem uma performance incrível de Glenn Hughes, que arregaça em um dueto com si mesmo, em tons de voz diferentes. "Lay Down, Stay Down", em compensação, coloca Ian Paice em destaque, com uma bateria muito bem tocada. Além disso, há uma divisão vocal incrível entre Coverdale e Hughes que, quando não revezam estrofes, cantam em uníssono. A guitarra de Ritchie Blackmore está excelente, por sinal, com ótimos riffs e belos solos.

"Sail Away", um pouco mais calma, tem uma pegada repleta de groove, instrumental rebuscado e, novamente, divisão vocal belíssima. "You Fool No One" mantém a pegada diferenciada, mas com mais agilidade e força, com menções honrosas às vozes de Glenn e às guitarras frenéticas de Blackmore. O frenezzi descamba em "What's Goin' On Here", um digno blues de boteco norte-americano, com direito a órgão Hammond e frases de guitarra e baixo bem criativas.

O álbum chega ao fim, mas em grande estilo. A melancólica "Mistreated" entra com uma performance emocionante de David Coverdale, além de guitarras e teclados harmonizados, solos belíssimos e cozinha bastante cuidadosa. O instrumental "A 200" fecha o disco com Jon Lord e Ritchie Blackmore brilhando mais do que nunca.

Em questão de receptividade, "Burn" divide opiniões. Há quem não concorde com o direcionamento que a banda tomou após a saída de Gillan e Glover. Mas é inegável a importância desse play, em vários aspectos e contextos históricos.

Além de ter dado holofotes à David Coverdale e Glenn Hughes, dois talentos até então desconhecidos que contribuiriam muito para o Rock no futuro, vale lembrar que o Deep Purple estava com baixos números de vendas com o antecessor "Who Do We Think We Are", que vendeu abaixo do esperado nos Estados Unidos e na Inglaterra, mercados que eram referência para o Rock na época, juntamente do Japão. "Burn", em compensação, vendeu mais de 500 mil cópias na terra do Tio Sam e, no Reino Unido, ultrapassou a marca de 100 mil exemplares vendidos.

Caro leitor, isso é Deep Purple! É clássico! Confira já!

01. Burn
02. Might Just Take Your Life
03. Lay Down, Stay Down
04. Sail Away
05. You Fool No One
06. What's Goin' On Here
07. Mistreated
08. A 200

David Coverdale - vocal
Ritchie Blackmore - guitarra
Glenn Hughes - baixo, vocal
Jon Lord - teclados, órgão Hammond
Ian Paice - bateria, percussão

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by Silver

domingo, 18 de abril de 2010

Deep Purple - Purple Dreams In St. Gallen [1994]


Raridade na área! Conhecida por ser uma das formações menos duradouras do Deep Purple, tendo vida de dezembro de 1993 a julho de 1994, a Mark VI também tem um baita cunho histórico, pois nessa época o conceituadíssimo guitarrista Joe Satriani foi chamado para cobrir a baixa de Ritchie Blackmore, que saiu no meio da turnê japonesa para divulgação do álbum "The Battle Rages On", marcado por ser o último com a line-up clássica do grupo.

Joe Satriani permaneceu durante parte da turnê japonesa e por toda a turnê européia, mas recusou o convite para integrar oficialmente a banda, mas existem vários registros de Satch com o Deep Purple que, sinceramente, são de dar água na boca - não como a receita do sueco em seu post mais recente, mas chega quase lá.

E a bootleg que trago-vos nessa excelentíssima postagem, gravada na cidade suíça de St. Gallen em 26 de junho de 1994, é a melhor que já tive conhecimento, principalmente pela qualidade de som (a gravação foi realizada por uma rádio suíça). Muitos websites e "bootleggers" têm esse registro como o único dessa formação que foi gravado por uma rádio, ou seja, realmente é o melhor que se pode encontrar por aí. [risos]

Sobre a banda e sua performance, comentários mais elaborados são dispensáveis: qualquer fã de rock que se preze tem noção da excelência dos integrantes do Deep Purple, principalmente em performances ao vivo. A química não foi perdida com a presença de Joe Satriani, que mandou muito bem aqui, e os outros integrantes estão afiadíssimos como sempre, desde os vocais impecáveis de Ian Gillan e os órgãos mirabolantes de Jon Lord até a cozinha pesada e magnífica dos monstros Roger Glover e Ian Paice.

A escolha das canções para a set-list também foi muito bem feita, conciliando clássicos incontestáveis como "Smoke On The Water", "Speed King", "Fireball" e "Highway Star" (que foi tocada mas não foi gravada pela rádio) e canções também clássicas, porém mais recentes até então, como "Perfect Strangers", "Ramschackle Man", "The Battle Rages On" e "Knocking At Your Backdoor" (também tocada mas não gravada pela fm). Vale também salientar que algumas músicas como "When A Blind Man Cries", "Maybe I'm A Leo" e "Pictures Of Home", esquecidas em antigos repertórios, voltaram à tona durante essa turnê e, consequentemente, nesse concerto.

Um registro histórico em boa qualidade de som - caro leitor, vai perder a oportunidade de conferir tal pérola?!

01. Ramschackle Man
02. Maybe I'm A Leo
03. Fireball
04. Perfect Strangers
05. Pictures Of Home + Jon Lord Solo
06. The Battle Rages On
07. When A Blind Man Cries
08. Speed King
09. Smoke On The Water

Ian Gillan - vocal
Joe Satriani - guitarra
Roger Glover - baixo
Ian Paice - bateria
Jon Lord - teclado, órgão

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by Silver

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Deep Purple - Machine Head [1972]


Em 5 anos, o mundo da música conseguiu dar uma reviravolta impressionante. O rock psicodélico de 1967, erguido por The Beatles, The Doors, Pink Floyd e The Animals, dava lugar à simplicidade das bandas de arena que ascenderam no começo da década de 1970, como Black Sabbath, Mountain, Led Zeppelin e o grupo homenageado nessa postagem: o Deep Purple.

Pra qualquer fã de rock, falar da importância de "Machine Head" é chover no molhado. E mesmo assim, creio que vários (como eu) se enrolariam pra falar da magnitude desse álbum. Apesar de curto, esse histórico disco simplesmente revolucionou a forma de fazer rock, dando um destaque especial aos teclados, tocados pelo magnífico Jon Lord, que ainda não havia recebido tanta atenção pelas bandas de rock n' roll da época. A versatilidade das canções aqui presentes chama a atenção, tornando suas 7 faixas clássicos absolutos, desde pancadas do nível de Smoke On The Water, Pictures Of Home e Space Truckin' até às blueseiras Maybe I'm A Leo e Lazy, além da psicodélica Highway Star e da tranqüila Never Before. Obviamente, nada disso seria possível sem as mirabolantes guitarras do gênio Ritchie Blackmore, a agudíssima voz de Ian Gillan, os teclados volúveis do anteriormente citado Jon Lord e a agressiva cozinha conduzida por Ian Paice e Roger Glover.

Pra um tempo em que o rock era taxado de "música de delinqüente" e era um estilo desconhecido pela massa, "Machine Head" até se saiu bem em termos de repercussão: "apenas" 1° lugar nas paradas inglesas e australianas, além de vender cerca de 500 mil cópias nos Estados Unidos na época do lançamento. O impacto causado sobre as vertentes musicais criadas posteriormente também é espantoso, visto que a influência desse álbum rodou desde o Hard Rock oitentista até o Progressive Metal. Dessa forma, se torna praticamente impossível destacar algo nessa obra-prima a não ser a química distinta e da criatividade incrível do grupo (principalmente do excêntrico Ritchie Blackmore, ao criar um dos riffs mais famosos da história: Smoke On The Water). Não vejo outra forma de resumir "Machine Head" a não ser com uma palavra: CLÁSSICO!

01. Highway Star
02. Maybe I'm A Leo
03. Pictures Of Home
04. Never Before
05. Smoke On The Water
06. Lazy
07. Space Truckin'

Ian Gillan - vocal, harmonica
Ritchie Blackmore - guitarra
Roger Glover - baixo
Ian Paice - bateria
Jon Lord - teclado, piano

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by Silver