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terça-feira, 26 de julho de 2011

Buddy Guy e Junior Wells – Play The Blues [1972]


Hoje acordei blues.


Também pudera. Ontem, pra fazer o filhote dormir, toquei Love in vain na viola e ele simplesmente sorriu. Para o amigo passageiro que perguntou sobre a paternidade na outra postagem, essa é a resposta: demais, vontade de ensinar tudo ao mesmo tempo agora.


O guri ainda não entende overdrive, fuzz, essas coisas. Eis que, quando botei pra tocar o disco do post de hoje, ele acalmou e abriu um sorriso. Orgulho de pai chega a ser nojento, ainda mais se considerarmos que ele tem 21 dias. Buddy Guy e Junior Wells, definitivamente, fazem a cabeça da minha família.


Lançado pela Rhino Records em 1972, o post de hoje é uma pérola produzida por ninguém menos que Eric Clapton e Ahmet Ertegun (aquele mesmo, dono da Atlantic Records e cuja morte foi homenageada por um ressuscitado Led Zeppelin no O2 Arena em 2007). A banda que acompanha a dupla é a The J. Geils Band, que simplesmente traz, no ano de 1972, um background fantástico para a guitarra de Guy e a Voz e harmônica de Wells.


O disco foi gravado em dois lugares diferentes: Criteria Studios, Miami, Florida e Intermedia Studios, Boston, Massachusetts. Isso porque o disco traz duas gravações em épocas diversas e com acompanhamentos diversos. A primeira, em 1970, traz Clapton e sua banda participando em 8 faixas. O inglês toca guitarra slide e o incansável Dr. John os acompanha ao piano. A segunda, com a já mencionada J. Geils band, resultou em apenas 2 faixas aproveitadas no play e a justificativa para um atraso de dois anos no lançamento.


A Man of Many Words abre o disco trazendo todos os licks de guitarra que fizeram a cabeça das gerações 60 e 70. Clapton, Hendrix, Page e, principalmente, Richards, beberam descaradamente na fonte. Buddy Guy empresta sua voz também para Bad Bad Whiskey, que, não por acaso, lembra uma sincera homenagem a Robert Johnson que, reza a lenda, teria morrido por ter tomado um whiskey envenenado (apesar de ele falar em pneumonia em Preaching Blues, mas aí a lenda perde a graça).


Come on in this House (have mercy baby) traz uma cadência de ritmos alternados e a maravilhosa voz de Junior Wells segurando o rojão com aquele timbre só dele. Fazer dupla com Buddy Guy e ainda assumir os vocais não é para qualquer um, e aqui Wells mostra porque está na parceria. Honeydripper é uma instrumental simplesmente linda. O piano cria uma tensão que parece que vai consumir a música, que vai estragar tudo. Mas a guitarra de Guy emerge com um toque jazz/ fusion que, acredito eu, mostrou a Jeff Beck o caminho das pedras.


I Don’t Know é a deixa para Junior Wells mostrar o que sabe fazer com uma gaita de boca. Claramente influenciada pelas composições de Willie Dixon, faz a cabeça de quem curte um Stones da fase áurea. A seguir, o big hit da dupla: Messing With The Kid. Acredito que aqui tenhamos um flerte descarado com o pop, mas sem jamais perder a maravilhosa veia blues (e nem poderia). Não mexa com o garoto. Guy deixa seu legado para o garoto Stevie Ray Vaughan, anos mais tarde, ter a sua fonte de pesquisa. Excelente.


Caro passageiro. Se você também tem um apreço pelo blues, fica meu presente de hoje. Música honestamente feita para trazer alegria a corações partidos.


Trago o relato de Irene Walker (aka Mama Rene) à National Geographic de maio de 2004 (p. 124):


“O blues está desaparecendo entre os jovens negros.

Acham que é coisa de velho. Eles permitiram que o rap os afastasse de sua própria cultura, ao passo que os jovens brancos estão se aproximando do blues.”


Vou lamentar e, parafraseando o nosso samba: não deixe o blues morrer.


Track List


1. A man of many words

2. Bad bad whiskey

3. Come on in this house (have mercy baby)

4. Honeydripper

5. I don’t know

6. Messin’ with the kid

7. My baby she left me (she left me mule to ride)

8. Poor man’s plea

9. T-Bone shuffle

10. This old fool


Buddy Guy (vocais, guitarra)

Junior Wells (vocais, harmonica)

J. Geils (guitarra)

Eric Clapton (guitarras)

Magic Dick (harmonica)

A.C. Reed (saxophone tenor)

Dr. John, Mike Utley, Seth Justman (piano)

Carl Radle, Leroy Stewart, Danny Klein (baixo)

Roosevelt Shaw, Jim Gordon, Stephen Bladd (bateria)


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Por Zorreiro

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Buddy Guy & Junior Wells – Alone And Acoustic [1981]



Mas, se são dois músicos, como é que o título faz referência a “alone”?


Esse é um daqueles mistérios da vida humana que ninguém, jamais, ousará sequer tentar decifrar.


Duas premissas: 1) simplesmente adoro blues de raiz com instrumentos acústicos; 2) já percebi que tem blueseiro às pencas na Combe. Então, nada melhor que dar a Cesar o que é de Cesar. Agora o passeio de Combe é ao som da voz e do violão de ninguém menos que o gigante Buddy Guy e seu fiel escudeiro dos anos 70 e 80, Junior Wells.


Se Guy, quando canta, já tem a voz do trovão, imagine o que pode fazer o cara para quem ele cedia o microfone. Junior Wells é vocalista e gaitista de mão cheia. Guy é mágico. Os dois juntos formaram uma das melhores duplas da história do blues. Duvida? Então comece pelo começo.


Bote o play para rodar e sinta o feeling da primeira faixa. Give me My Coat And Shoes traz Guy no violão de 12 cordas e vocais enquanto Wells segura na harmônica como se fosse um monstruoso Hammond de fundo. Esse disco foi gravado durante a tour européia da dupla no ano de 1981, em um momento intimista no qual eles dispensaram a banda e mostraram que, além de mestres do blues elétrico de Chicago, sabem fazer o melhor blues de raiz que toda a extensão do rio Mississippi – de Chicago a New Orleans – pode proporcionar ao mundo. Isso tem que estar no DNA, não é possível! Se existisse fórmula para esse tipo de feeling os japoneses já estariam fazendo blues de raiz e samba com qualidade.


A segunda, Big Boat traz a dupla revezando nos vocais. É de arrebentar o coração. O disco também conta com clássicos de John Lee Hooker (Boogie Chillen) e Muddy Waters (My Home's in the Delta), bem como algumas músicas folclóricas, que os americanos chamam traditionals (Catfish Blues).


A apresentação foi gravada nos estúdios Sysmo, no dia 15 de maio de 1981, em Paris. Durante muito tempo o lançamento do play ficou restrito ao mercado francês. Precisou a internet acabar com esse negócio de mercado restrito para que todos pudéssemos ouvir uma das maiores preciosidades da música. O título original do disco era Going Back to Acoustic, mas foi alterado para Alone and Acoustic quando foi lançado mundialmente (segue a pergunta que abriu essa resenha – malditos almofadinhas executivos de gravadoras e suas atitudes imbecis). A minha preferida é Sally Mae que tem momentos de silêncio absolutamente impecáveis. Talvez a ansiedade de preencher todos os espaços seja o motivo pelo qual alguns guitarristas de blues não conseguem tocar bem o estilo ou, mesmo tocando bem, passarem a sensação de que falta alguma coisa. O silêncio bem colocado pode ser mais eficaz que uma nota tocada, criando a tensão especial e necessária para o que virá a seguir.


Ah, os mestres do blues e sua aura intocável.

Track List


1. Give Me My Coat And Shoes

2. Big Boat

3. Sweet Black Girl

4. Diggin’ My Potatoes

5. Don’t Leave Me

6. Rollin’ And Tumblin’

7. I’m In The Mood

8. High Heels Sneakers

9. Wrong Doing Woman

10. Cut You Loose

11. Sally Mae

12. Catfish Blues

13. My Home’s In The Delta

14. Boogie Chillen

15. Medley: Baby What You Want Me To Do


Buddy Guy (violões e voz)

Junior Wells (harmônica e voz)

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Por Zorreiro