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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Uriah Heep - Into The Wild [2011]


Dessa vez não foi preciso esperar tanto. Enquanto a diferença entre Sonic Origami e Wake The Sleeper foi de dez anos, o Uriah Heep precisou de apenas mais dois para lançar Into The Wild, seu novo trabalho de inéditas. O vigésimo – terceiro álbum de estúdio do grupo de Mick Box reafirma a força desse line-up, junto desde 1986, com exceção do baterista Russell Gibrook, que chegou em 2007. Produzido por Mike Paxman (Status Quo, Asia), o disco mantém o padrão tradicional do quinteto. Quem gostou do anterior, tem tudo para aprovar esse, pois as mudanças são mínimas e a qualidade constante.

O single “Nail In The Head” abre de maneira bem acessível, com melodia fácil e grudenta. Cara de hit total! Ainda melhor é a seqüência com “I Can See You”, faixa mais acelerada, trazendo uma pegada fulminante do ‘novato da turma’. Mantendo o pique (e o nível) a faixa-título começa com um memorável riff de guitarra, além dos corais perfeitamente encaixados, como sempre. “Money Talk” parece ter saído direto de uma máquina do tempo, com seu estilo totalmente setentista, assim como “I’m Ready”, com aproximação do lado mais Heavy da época. Uma acalmada nos ânimos surge na primeira parte da trabalhada “Trail Of Diamonds”, que se transforma em um Hard Rock de alto nível com o passar do tempo e retorna à suavidade no encerramento.



Outra de fácil assimilação é “Southern Star”. Ótimo arranjo e melodias vocais que dá para acompanhar cantando junto. “Believe” traz uma das melhores participações de Mick Box, econômico, porém marcante em riffs e solos. Em “Lost”, uma atmosfera incrementada com Hammond ao fundo, oferecendo um clima realmente ‘espacial’ à faixa. Uma intro com a cara do Uriah Heep marca “T-Bird Angel”, transitando pelo lado mais comercial do grupo sem se desvirtuar. E mais uma vez, trabalho de vozes incrível! A semi-balada “Kiss Of Freedom” encerra o tracklist normal com passagens acústicas interessantes. A bônus “Hard Way To Learn” mantém o nível, com uma guitarra esperta em sincronia com o clima soturno.

Não dá para deixar de fazer uma menção honrosa a Bernie Shaw. Apesar de estar há 25 anos no grupo, ele sempre será o novo vocalista para os mais conservadores. Pois cada vez mais ele se impõe como uma das figuras mais importantes da história da banda, cantando com personalidade e talento ímpares. Nesse disco, mais uma vez, seu desempenho é soberbo. Após tanto tempo e várias mudanças de formação, o Uriah Heep ainda é uma das bandas mais relevantes de sua era, conseguindo fazer novas músicas com a mesma competência e naturalidade. Fanáticos devem comprar sem pensar duas vezes!

Bernie Shaw (vocals)
Mick Box (guitars)
Trevor Bolder (bass)
Phil Lanzon (keyboards)
Russel Gilbrook (drums)

01. Nail On The Head
02. I Can See You
03. Into The Wild
04. Money Talk
05. I’m Ready
06. Trail Of Diamonds
07. Southern Star
08. Believe
09. Lost
10. T-Bird Angel
11. Kiss Of Freedom
12. Hard Way To Learn

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JAY

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Uriah Heep - Salisbury [1971]


A abordagem temática da magia que foi iniciada no Demons and Wizards e se consolidou no The Magician's Birthday, revolucionou a cara do Rock e nos tempos atuais se faz mais influente do que nunca. Entretanto, esse lado mágico transmitido nas letras já estava presente na música do Uriah Heep desde o começo, até mesmo na sonoridade crua, embora já muito caprichada, do debut. Mas o que fez o Uriah Heep decolar foi quando o genial tecladista Ken Hensley tomou as rédeas das composições, e se firmou como um dos maiores compositores da história do Rock.

Mesmo presente nas gravações do primeiro full-lenght, foi em Salisbury que Hensley começou a contribuir como compositor. Ainda dividindo algumas composições mas, posteriormente, ficaria ainda mais imbuído por essa tarefa. Com o tecladista dominando as composições e impondo suas características, as músicas ficaram mais atmosféricas e menos guiadas por riffs e peso. Mas isso foi balanceado perfeitamente, e as partes pesadas surgem de maneira impiedosa, principalmente na jóia rara que apenas os norte-americanos foram privilegiados no ano anterior ao lançamento de Salisbury.

Capa da versão norte-americana

"Bird of Prey", que abre a versão britânica de Salisbury, foi composta para o Very 'Eavy, Very 'Umble e só saiu na versão estadunidense desse álbum, sendo substituída por "Simon the Bullet" na prensagem americana de Salisbury. Por não ter sido composta para o Salisbury, é a única composição aqui presente que não contou com o auxílio do mago Hensley. E é logo nessa abertura que somos entusiasmados pelo desempenho fora de série do vocalista David Byron. Permanecendo até hoje como um dos principais elaboradores da forma de canto do Heavy Metal, Byron abusa dos seus falsetes agressivos em "Bird of Prey", soando ainda como algo atual. E hoje podemos perceber que, mesmo com as facilidades tecnológicas para atingir um resultado satisfatório de forma cada vez mais prática e menos penosa, nada se compara, nem de longe, com a maneira que Byron se impõe.

Apesar do impactante início, é com a suavidade de "The Park" e "Lady in Black" que é definido os maiores diferenciais do Uriah Heep. A magia transcendente dessas canções está acima de qualquer compreensão de onde foi buscada inspiração por Hensley para criar baladas transmitindo um sentimento tão singular. Não é romântico, não é alegre, não é triste. É algo singelo, mas não menos do que mágico. "Lady in Black" foi concebida depois da experiência com o sobrenatural de Ken Hensley - o mesmo é quem a canta -, e ninguém ousa duvidar disso, porque até mesmo os mais céticos, ao ouvir esta música, devem convir que a composição foi originada a partir desse contato.


Antes de ser literalmente assombrado por "Lady in Black", somos apresentados a "Time to Live" que, devido a colaboração do guitarrista Mick Box na composição, é sustentada pelos riffs certeiros e simples, mas Byron rouba a cena com mais uma atuação 'classuda'. "High Priestess", que apresenta riffs mais bem construídos sob o andamento rápido da cozinha e conta com um solo avassalador, escancara de vez a faceta Hard Rock do grupo. E a obra-prima se encerra com a monumental faixa-título, seguindo as tendências progressivas da época, mas com uma textura riquíssima. Metais, violinos, coros e orgãos juntos formando um som bombástico que ultrapassa os 16 minutos.

Nas centenas de artigos falando da importância dos discos Demons and Wizards e The Magician's Birthday, vários acabam tentando passar a ilusão de que o Uriah Heep só foi especial durante esses discos, quando a única real diferença é a temática inovadora que foi apresentada nesses trabalhos. Isso acaba por subestimar o legado deste que é um dos melhores grupos de Rock justamente por ter um vasto catálogo de discos fenomenais, e Salisbury foi a primeira carta mágica que Hensley tirou da manga. Mas, justiça seja feita, os resultados também não seriam obtidos se junto a Hensley não estivessem o lendário David Byron e o criador Mick Box - que até hoje mantém vivo o mito shakespeariano.


01 - Bird Of Prey
02 - The Park
03 - Time To Live
04 - Lady In Black
05 - High Priestess
06 - Salisbury

David Byron - lead vocals
Mick Box – lead & acoustic guitar, vocals
Ken Hensley – slide & acoustic guitar, vocals, piano, harpsichord, organ, vibraphone
Paul Newton – bass guitar, vocals
Keith Baker – drums, percussion

Strings & Brass arranged by John Fiddy

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Dragztripztar

Da esq. para dir.: Ken Hensley, David Byron, Paul Newton, Mick Box & Keith Baker