
Repercutiu muito nos últimos dias a entrevista concedida por Blaze Bayley ao site sueco Critical Mass, trazido em primeira mão pela Van do Halen entre as páginas especializadas em português – e com a nossa versão amplamente divulgada posteriormente por diversos outros veículos, além das redes sociais. Nela, o cantor expôs todo o drama que passou nos últimos tempos, tendo que enfrentar problemas pessoais e, especialmente, financeiros para manter sua carreira. Em alguns momentos a situação ficou realmente dramática, como quando ele fala sobre quando chegou a faltar comida e a vez que o carro estragou na estrada entre um show e outro e se viu obrigado a literalmente esmolar para conseguir voltar para casa.
A reação de vários foi se perguntar como o vocalista teria chegado a esse ponto após ter feito parte de uma das maiores bandas do mundo. Bom, em primeiro lugar é preciso lembrar que um dos motivos de sua saída do Iron Maiden foi justamente porque a grana não estava entrando como antigamente e só voltaria com um retorno de Bruce Dickinson. Depois, dinheiro acaba. Não são poucos os casos de ganhadores na loteria que não conserguiram manter um padrão de vida com o passar dos anos. No caso de Blaze, por melhores que tenham sido seus trabalhos pós-Donzela de Ferro – e são, muitas vezes dando uma surra nos comandados de Steve Harris – o público de modo geral simplesmente não se interessou. Aí não há poupança que ature.
Uma das situações colocadas por Bayley tem a ver justamente com a gravação desse álbum. Para finalizar Promise and Terror, foi preciso literalmente pedir dinheiro emprestado. E segundo o próprio, essa quantia não foi quitada, em partes, até hoje, por total impossibilidade. De qualquer modo, o esforço valeu a pena. Após o fantástico The Man Who Would Not Die, a banda lançou outro petardo do mais puro Heavy Metal, mesclando tradição e sonoridade atualizada com maestria. Pesado, denso e sombrio, trata-se de um dos melhores álbuns lançados ano passado, num sinal que muitas vezes alguns sofrimentos acabam valendo a pena.
A abertura com “Watching The Night Sky” traz a típica veia britânica do estilo, com melodia e refrão grandiosos. A acelerada “Madness and Sorrow” e a potente “1633” (que peso fenomenal), com suas palhetadas formadoras de caráter são outros destaques do trabalho. A climática “City Of Bones” traz uma levada viciante, enquanto “Faceless” retoma o pique das primeiras, convidando o ouvinte ao bate-cabeça. “Surrounded By Sadness” traz em sua primeira parte uma levada acústica totalmente melancólica, o que a transforma em uma faixa especial no play. Ela vem emendada a “The Trace Of Things That Have No Words”, música que poderia facilmente se encaixar em um dos recentes discos da Donzela de Ferro.
Blaze jamais será reconhecido por todos os fãs do Iron Maiden, mesmo que seja por simples birra. Azar o deles, que deixarão passar mais um trabalho fantástico! Promise and Terror mantém o peso de seu antecessor, mesclando com algumas melodias mais tradicionais, que remetem a seus dois primeiros plays. Para os fãs de um som mais direto, uma atração bem mais interessante que sua antiga banda, que está confortavelmente executando seu som com influências progressivas cada vez mais latentes.
Blaze Bayley (vocals)
Nicolas Bermudez (guitars)
Jay Walsh (guitars)
David Bermudez (bass)
Lawrence Paterson (drums)
01. Watching The Night Sky
02. Madness And Sorrow
03. 1633
04. God Of Speed
05. City Of Bones
06. Faceless
07. Time To Dare
08. Surrounded By Sadness
09. The Trace Of Things That Have No Words
10. Letting Go Of The World
11. Comfortable In Darkness
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